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Cuba celebra 100 anos de Fidel Castro sob ataque dos EUA

Source: agenciabrasil.ebc.com.br Published Thu, 13 Aug 2026 07:15:00 -0300
Cuba celebra 100 anos de Fidel Castro sob ataque dos EUA

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Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/cuba-celebra-100-anos-de-fidel-castro-sob-ataque-dos-eua"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p>Esta quinta-feira (13) é o ponto alto de um <a href="https://www.canaleducativo.icrt.cu/cuba-se-alista-para-vivir-una-de-las-conmemoraciones-mas-trascendentales-de-su-historia-reciente/" target="_blank">calendário de comemorações em Cuba</a>, iniciado em agosto do ano passado. <strong>A data marca os 100 anos de nascimento de Fidel Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, movimento que mudou o regime político e econômico na ilha caribenha em 1959.</strong><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1699483&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1699483&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>Em meio à agenda de homenagens, os cubanos têm preocupações bem perceptíveis. Uma das mais presentes é a crise energética. <strong>Assim como a palavra centenário ganhou notoriedade nos últimos meses, o termo blecaute também foi bastante pronunciado, seja nas ruas de Havana, seja em outras regiões do país.</strong></p> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/especialistas-da-onu-pedem-medidas-para-evitar-gaza-silenciosa-em-cuba">Especialistas da ONU pedem medidas para evitar Gaza silenciosa em Cuba.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/cuba-tem-novo-apagao-nacional-em-menos-de-24-horas">Cuba tem novo apagão nacional em menos de 24 horas .</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-07/presidente-de-cuba-acusa-eua-de-genocidio-politico-em-meio-tensoes">Presidente de Cuba acusa EUA de “genocídio político” em meio a tensões.</a></li></ul>No início de agosto, por exemplo, os cubanos enfrentaram dois <a href="http://(https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/cuba-tem-novo-apagao-nacional-em-menos-de-24-horas" target="_blank">apagões nacionais </a>em menos de 24 horas.</p> <h2>Embargo e crise energética</h2> <p><strong>A <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-03/cuba-completa-3-meses-sem-receber-combustivel-por-bloqueio-dos-eua" target="_blank">crise energética</a> é explicada pela capacidade limitada de produção elétrica em um sistema obsoleto e à pressão dos Estados Unidos, que dificultam a importação de petróleo e derivados.</strong></p> <p><strong>O país <a href="https://www.granma.cu/cuba/2025-01-07/senas-de-la-produccion-petrolera-nacional-07-01-2025-23-01-33" target="_blank">consegue produzir</a> apenas um terço da necessidade nacional de petróleo</strong>, segundo a União Petrolífera de Cuba (Cupet), a maior empresa petrolífera da ilha.</p> <p>A energia que falta ao povo cubano também freia o desenvolvimento econômico de inúmeras atividades. Estimativas apontam que a economia deve registrar queda de 6,5% em 2026.<br />  </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=407706:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/DrQCvXu3KmYD8sXHNmEEros2lnM=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/12/04/2024-12-04t180948z_1_lynxnpekb310h_rtroptp_4_cuba-crisis-apagon.jpg?itok=rPpCZi6M" alt="Havana- Cuba- 04/12/2024 Rede elétrica de Cuba entra em colapso após falha em usina e milhões de pessoas ficam sem luz. REUTERS/Norlys Perez/Arquivo/ Proíbido reprodução" title="Norlys Perez"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/DrQCvXu3KmYD8sXHNmEEros2lnM=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/12/04/2024-12-04t180948z_1_lynxnpekb310h_rtroptp_4_cuba-crisis-apagon.jpg?itok=rPpCZi6M" alt="Havana- Cuba- 04/12/2024 Rede elétrica de Cuba entra em colapso após falha em usina e milhões de pessoas ficam sem luz. REUTERS/Norlys Perez/Arquivo/ Proíbido reprodução" title="Norlys Perez"></noscript> <!-- END scald=407706 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=407706-->Havana, 4/12/2024 - Rede elétrica de Cuba entra em colapso após falha em usina e milhões de pessoas ficam sem luz - <strong>Foto: Reuters/Norlys Perez/Arquivo/ Proibida a reprodução</strong><!--END copyright=407706--></div> </div></div> <p>A situação é tão grave que especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) condenaram a pressão americana e instaram a comunidade internacional a atuar rapidamente <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/especialistas-da-onu-pedem-medidas-para-evitar-gaza-silenciosa-em-cuba" target="_blank">para evitar uma “Gaza silenciosa” em Cuba</a>, em referência à grave situação humanitária vivida pela população na Palestina. </p> <p>O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chama o bloqueio americano de <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-07/presidente-de-cuba-acusa-eua-de-genocidio-politico-em-meio-tensoes" target="_blank">“genocídio político”</a>.</p> <p><strong>A pressão dos Estados Unidos é um endurecimento do <a href="https://www.state.gov/cuba-sanctions" target="_blank">embargo econômico</a> iniciado em 1962</strong>, após o agravamento das relações entre Washington e Havana, marcado pela nacionalização de empresas americanas, pela falta de acordo sobre compensações e pela aproximação de Cuba revolucionária com a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).</p> <p>A pressão atual faz com que o sistema de saúde na ilha, reconhecido internacionalmente por ser universal e gratuito, esteja <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-02/bloquei-dos-eua-coloca-sistema-de-saude-de-cuba-proximo-do-colapso" target="_blank">à beira do colapso</a>. Para alguns cubanos, é o <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-02/cubanos-relatam-cotidiano-em-havana-pior-momento-que-ja-vivemos" target="_blank">pior momento</a> já vivido pelo país.</p> <p>Além da questão econômica, o presidente americano, Donald Trump, já sugeriu que pode deflagrar uma <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-05/cuba-responde-ameaca-de-trump-declarando-que-nao-se-intimidara" target="_blank">ação militar</a> contra Cuba.</p> <h2>Fidel e a Revolução</h2> <p><strong>Entre os eventos deste 13 de agosto está um seminário internacional sobre o legado de Fidel e o futuro de Cuba.</strong></p> <p>A personalidade que viria a ser o comandante em chefe da Revolução nasceu em Birán, um vilarejo rural na província de Holguín, no Leste da ilha. Hoje, a fazenda onde nasceram os irmãos Ramón, Fidel e Raúl faz parte de um conjunto histórico.</p> <div class="dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=19958:grande_6colunas {"additionalClasses":""} --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/jsPP9uOsZam4XXeFBLxYGrR2kFQ=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1055825-arquivo%20lusa.jpg?itok=mxKlEhHy" alt="Fidel Castro " title="Arquivo Lusa/Direitos Reservados"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/jsPP9uOsZam4XXeFBLxYGrR2kFQ=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1055825-arquivo%20lusa.jpg?itok=mxKlEhHy" alt="Fidel Castro " title="Arquivo Lusa/Direitos Reservados"></noscript> <!-- END scald=19958 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=19958-->Fidel Castro, líder da Revolução Cubana - <strong>Foto: Agência Lusa/Arquivo/Proibida a reprodução</strong><!--END copyright=19958--></div> </div></div> <p>Um dos fatos marcantes da trajetória do então líder oposicionista foi o ataque ao Quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, na cidade de Santiago de Cuba. Liderados por Fidel, revolucionários tentaram derrubar o governo de Fulgencio Batista.</p> <p>A ação foi frustrada, e Fidel acabou sendo capturado. <strong>Ao ser julgado, em 16 de outubro daquele ano, Fidel fez o histórico discurso <em>A História me Absolverá</em>. O guerrilheiro foi condenado a 15 anos de prisão, mas anistiado pouco menos de dois anos depois.</strong></p> <p>Ainda em 1955, Fidel foi para o exílio no México, país onde conheceu o <a href="https://www.granma.cu/che-guevara/2023-06-14/fidel-y-el-che-rme-amistad-basada-en-principios-y-valores-compartidos-14-06-2023-20-06-27" target="_blank">argentino Ernesto “Che” Guevara</a>, que anos depois estaria ao lado dele na Revolução Cubana.</p> <p>No México, organizou o Movimento 26 de Julho e de lá partiu para Cuba no iate Granma, desembarcando em 2 de dezembro de 1956 com mais de 80 expedicionários, com o objetivo de tomar o poder.</p> <p>Logo depois da chegada, o grupo de revolucionários foi atacado pelas forças de Fulgencio Batista. <strong>Os sobreviventes do Exército Rebelde se refugiaram nas cordilheiras de Sierra Maestra e, dali, conduziram a guerrilha até o triunfo da Revolução em 1º de janeiro de 1959.</strong></p> <h2>Décadas no poder</h2> <p><strong>Fidel ficou quase 50 anos no poder. Ainda nos primeiros anos implementou a nacionalização de empresas e a reforma agrária. Ao longo do regime, o líder do Partido Comunista adotou reformas que ampliaram o acesso à saúde, moradia e permitiram a alfabetização em massa da população.</strong></p> <p>Passou para o mundo a imagem de um líder sempre de uniforme militar, barba e charuto. Mas essa imagem recebeu uma correção com o tempo, conforme <a href="https://www.granma.cu/cultura/2014-04-17/el-fidel-castro-que-yo-conozco" target="_blank">destacou o escritor colombiano Gabriel García Márquez</a>, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura (1982): “Deixou de fumar para ter autoridade moral para combater o tabagismo”.No contexto da Guerra Fria, Fidel foi um dos principais aliados e beneficiados pela relação com a URSS. Por outro lado, foi um incômodo vizinho dos Estados Unidos, onde se exilaram muitos dos cubanos contrários a Fidel.<br />  </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=19841:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/gIK6FMiW_XrUY6_ZzR45ynC3new=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1055823-arquivo%20abr3.jpg?itok=fkgZD9S_" alt="Fidel Castro" title="Arquivo/Agência Brasil"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/gIK6FMiW_XrUY6_ZzR45ynC3new=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1055823-arquivo%20abr3.jpg?itok=fkgZD9S_" alt="Fidel Castro" title="Arquivo/Agência Brasil"></noscript> <!-- END scald=19841 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=19841-->Fidel Castro permaneceu no poder durante quase 50 anos - <strong>Foto: Arquivo/Agência Brasil</strong><!--END copyright=19841--></div> </div></div> <p>Foi preciso resistir a diversas tentativas de influência externa para retirá-lo do poder, tanto militares quanto econômicas, como o embargo que dura até hoje.</p> <p>Fidel foi também inspirador e aliado do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, grande desafeto americano, morto em 2013.</p> <p><strong>Ao lado de avanços sociais, Fidel atraiu críticas de dissidentes e organizações internacionais, que denunciavam práticas antidemocráticas, regime de partido único, censura, perseguição a opositores e violações de direitos humanos.</strong></p> <h2>Repressão</h2> <p><strong>A organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) reconhece que o governo de Fidel desenvolveu na ilha caribenha "importantes avanços" em questões sociais, direitos econômicos, educação, cultura e saúde. Mas a organização é vocal ao afirmar que o regime foi marcado pela repressão "de praticamente todas as formas de dissenso".</strong></p> <p>"Milhares de cubanos foram encarcerados sob condições deploráveis, milhares de pessoas foram perseguidas e intimidadas, e gerações inteiras tiveram suas liberdades políticas básicas negadas", escreveu a HRW em <a href="https://www.hrw.org/es/news/2016/11/26/cuba-la-era-de-fidel-castro-marcada-por-la-represion" target="_blank">comunicado</a> publicado no dia seguinte à morte de Fidel Castro.</p> <p>Para a organização, o embargo americano serviu para "justificar abusos do regime". “Durante décadas, Fidel Castro foi o principal beneficiário de uma política de isolamento profundamente equivocada dos EUA, que lhe permitiu se apresentar como vítima e, ao fazê-lo, desencorajar outros governos de repudiar suas práticas repressivas”, disse à época o chileno José Miguel Vivanco, então diretor para as Américas da HRW.<br />  </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=19603:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/Kf3k9TTbOXh_MGn4CsI2NWu9ssk=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/alejandro_ernesto1_lusa.jpg?itok=kcH0QaTC" alt="Fidel Castro (Alejandro Ernesto/Agência Lusa/Direitos Reservados)" title="Alejandro Ernesto/Agência Lusa/direitos reservados"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/Kf3k9TTbOXh_MGn4CsI2NWu9ssk=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/alejandro_ernesto1_lusa.jpg?itok=kcH0QaTC" alt="Fidel Castro (Alejandro Ernesto/Agência Lusa/Direitos Reservados)" title="Alejandro Ernesto/Agência Lusa/direitos reservados"></noscript> <!-- END scald=19603 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=19603-->Fidel Castro renunciou definitivamente à Presidência em 2008 - <strong>Foto: Agência Lusa/Alejandro Ernesto/Arquivo/Proibida a reprodução</strong><!--END copyright=19603--></div> </div></div> <p>Outra organização não governamental, <strong>a <a href="https://www.es.amnesty.org/en-que-estamos/noticias/noticia/articulo/el-legado-de-derechos-humanos-de-fidel-castro-una-historia-de-dos-mundos/" target="_blank">Anistia Internacional</a>, também reconheceu no dia da morte que houve avanços sociais em Cuba, mas afirmou que o estado da liberdade de expressão na ilha, "onde ativistas continuam a ser presos e perseguidos por se manifestarem contra o governo, é o legado mais sombrio de Fidel Castro".</strong></p> <p>A instituição afirmou que testemunhou "centenas de histórias de 'prisioneiros de consciência' – pessoas detidas pelo governo simplesmente por exercerem pacificamente seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião".</p> <p>A Anistia Internacional lembrou ainda que, após tomar o poder, "Castro organizou julgamentos de membros do governo anterior, que resultaram em centenas de execuções sumárias". </p> <h2>Transição e renúncia</h2> <p><strong>Em 31 de julho de 2006, dias antes de completar 80 anos de idade e 47 no poder, Fidel Castro se licenciou da Presidência por questões de saúde.</strong> Ele sofria de complicações no intestino e precisava passar por uma cirurgia.</p> <p>“Dias e noites de trabalho contínuo, praticamente sem dormir, fizeram com que a minha saúde, que tem resistido a todos os testes, se submetesse a um estresse extremo, e se quebrasse. Isto me provocou uma crise intestinal aguda com sangramento sustentado, que me obrigou a enfrentar uma complicada intervenção cirúrgica”, disse em<a href="http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/2006/por/f310706p.html" target="_blank"> comunicado</a> dias após uma viagem à Argentina.</p> <div class="dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=112830:medio_4colunas {"additionalClasses":""} --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/CTaaCKDjJV1ahlNnVUpOsIFYTwk=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/o_presidente_de_cuba_raul_castro_foto_roosewelt_pinheiro-arquivo_agencia_brasil.jpg?itok=CDKm6ObH" alt="O presidente de Cuba, Raúl Castro" title="Arquivo Agência Brasil"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/CTaaCKDjJV1ahlNnVUpOsIFYTwk=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/o_presidente_de_cuba_raul_castro_foto_roosewelt_pinheiro-arquivo_agencia_brasil.jpg?itok=CDKm6ObH" alt="O presidente de Cuba, Raúl Castro" title="Arquivo Agência Brasil"></noscript> <!-- END scald=112830 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta">Raúl Castro sucedeu Fidel na Presidência de Cuba - <strong>Foto: Arquivo/Agência Brasil</strong><!--END copyright=112830--></div> </div></div> <p><strong>Fidel delegou para o irmão e companheiro de revolução, Raúl Castro, os postos mais altos da cúpula do regime: primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista, comandante em chefe das Forças Armadas Revolucionárias e presidente do Conselho de Estado e do Governo da República</strong>.</p> <p>A previsão inicial era de permanecer “várias semanas em repouso”.<strong> Em 19 de fevereiro de 2008, Fidel renunciou definitivamente à Presidência</strong>. “Não me despeço de vocês. Só desejo combater como soldado das ideias”, <a href="http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/2008/por/f180208p.html" target="_blank">escreveu</a>.</p> <p><strong>Raúl foi presidente até abril de 2018, sucedido pelo atual presidente Miguel Díaz-Canel.</strong></p> <p><strong>Fidel Castro <a href="http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/2008/por/f180208p.htm" target="_blank">morreu na noite de 25 de novembro de 2016</a>, já madrugada de 26 aqui no Brasil, aos 90 anos.</strong> O luto oficial demorou nove dias, com despedida do público em Havana e uma carreata com as cinzas até Santiago de Cuba.</p> <p>Em Miami, cidade americana que concentra cubanos exilados, os<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2016-11/cuba-tera-caravana-em-homenagem-fidel-cubanos-em-miami-fazem-festa" target="_blank"> oposicionistas foram às ruas </a>comemorar a <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/tags/morte-de-fidel-castro" target="_blank">morte de Fidel</a>, a quem chamavam de ditador.</p> <h2>Legado</h2> <p><strong>A professora de história Adriane Aparecida Vidal Costa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), classifica o legado de Fidel como “um dos temas mais polarizados e controversos da historiografia latino-americana”.</strong></p> <p>Ela explicou à <strong>Agência Brasil</strong> que, de um lado, há historiadores que focam em questões autoritárias de Fidel Castro no que diz respeito à democracia e aos direitos humanos, que colocam no centro do debate fatores como a instituição do regime de partido único desde 1965, o controle estatal da imprensa, a perseguição e prisão de dissidentes, a repressão a homossexuais nas décadas de 1960 e 1970, “posteriormente revista pelo governo cubano”.</p> <p>A pesquisadora contrapõe que outra parte da historiografia se atém à soberania nacional frente aos Estados Unidos, às conquistas sociais, com indicadores comparáveis aos de países desenvolvidos, à redução de desigualdades históricas.</p> <p>Ela acrescenta um modelo de "democracia participativa", via organizações de massa, como os sindicatos e assembleias de bairro, “considerada por essa vertente uma forma alternativa de legitimidade popular, distinta do modelo liberal-representativo”.</p> <p>A professora Adriane Costa aponta que os avanços sociais são vistos como maiores acertos da Revolução Cubana, incluindo “indicadores de mortalidade infantil e expectativa de vida destacados por organismos como a Organização Mundial da Saúde”.</p> <p>Por outro lado, são sinalizados erros como concentração de poder político e ausência de alternância democrática por décadas. Além disso, cita, houve dependência do subsídio soviético até 1991 e problemas crônicos de produtividade e abastecimento.</p> <p><strong>Ela acrescenta que o processo migratório massivo é interpretado como sintoma de insatisfação interna da população.</strong></p> <p>A docente da UFMG considera que o embargo americano é uma resposta dos EUA à nacionalização de empresas sem compensação considerada adequada e outros fatores, como o alinhamento à URSS e apoio a movimentos revolucionários em países latino-americanos.</p> <p>“Foi muito mais uma retaliação do que propriamente resultado das escolhas de Fidel Castro”, diz.</p> <p>A acadêmica considera que a situação de crise na ilha caribenha é reflexo de elementos como o bloqueio econômico, agravado durante o governo Trump, e do colapso de parceiros, como a URSS e, mais recentemente, a Venezuela.</p> <blockquote> <p>“O modelo institucional herdado de Fidel criou as condições estruturais de vulnerabilidade, como baixa diversificação econômica, dependência externa [URSS] e ausência de reformas econômicas mais profundas durante o ‘Período Especial’ dos anos 1990 [crise iniciada com o fim da URSS]”, elenca.</p> </blockquote> <p>Adriane Costa lista ainda a pandemia de covid-19, que teve impacto severo no turismo, principal fonte da economia cubana.<br />  </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=19677:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/O91gGulGwPeiuD1C-P5vzMjrOac=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1055819-alejandro%20ernesto_lusa.jpg?itok=wDgTko_p" alt="Fidel Castro " title="Alejandro Ernesto/Arquivo Lusa/Direitos Reservados"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/O91gGulGwPeiuD1C-P5vzMjrOac=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/1055819-alejandro%20ernesto_lusa.jpg?itok=wDgTko_p" alt="Fidel Castro " title="Alejandro Ernesto/Arquivo Lusa/Direitos Reservados"></noscript> <!-- END scald=19677 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=19677-->Fidel Castro morreu aos 90 anos - <strong>Foto: Agência Lusa/Alejandro Ernesto/Arquivo/Proibida a reprodução</strong><!--END copyright=19677--></div> </div></div> <h2>Parte da história</h2> <p>O professor de história Norberto Osvaldo Ferreras, da Universidade Federal Fluminense, acredita que é impossível dissociar Fidel Castro da história de Cuba no século 20.</p> <p>“Podemos dizer que Cuba se divide em duas grandes figuras, José Martí, o herói da independência, e Fidel, o herói da emancipação definitiva.”</p> <p>Líder nacionalista, José Martí morreu em 1895, durante a luta pela independência de Cuba, sete anos antes de o país se tornar formalmente independente.</p> <p>O especialista da UFF compara o atrelamento de Fidel ao país à importância de Nelson Mandela (1918-2013) para a África do Sul.</p> <p>“São figuras que marcaram uma transição de um modelo político a outro, que foram política, militar e socialmente ativas, com fortíssimas presenças internacionais”, disse o argentino à <strong>Agência Brasil</strong>.</p> <p>Ele atribui palavras-chave ao legado de Castro: latino-americanista, anti-imperialista e anticapitalista. Norberto Ferreras classifica de “complicada” a análise do legado sob o ponto de vista de democracia.</p> <p>“Cuba nunca foi uma democracia representativa eleitoral”, diz. Para ele, a revolução socialista “recolocou os termos da democracia liberal burguesa e estabeleceu novos parâmetros de representatividade”.</p> <p>“A eleição de presidente se dá pela via não direta”, apresenta. Segundo o docente, Fidel aumentou a representatividade em uma “sociedade que estava fechada em um regime autoritário apoiado pelos Estados Unidos”.</p> <p>Fulgencio Batista exerceu a Presidência de Cuba de 1940 a 1944, após ser eleito, no entanto, voltou ao poder em 1952, por meio de um golpe de Estado, governando como ditador até 1º de janeiro de 1959.</p> <p>O professor compartilha da ideia de que a existência de um partido único é fator complicador de Cuba.</p> <h2>Influência internacional</h2> <p><strong>O acadêmico da UFF destaca que o ex-presidente cubano teve enorme influência no restante da América Latina, principalmente nas décadas de 1960 e 1970.</strong></p> <p>“Uma influência direta nos processos revolucionários, como motor, financiador e também refúgio de muitos militantes de esquerda, revolucionários”, descreve.</p> <p>Personalidades brasileiras viveram em Cuba enquanto o Brasil era submetido à ditadura militar (1964-1985).</p> <blockquote> <p>“Fidel tem uma importância decisiva na trajetória que tiveram os movimentos revolucionários e de esquerda na América Latina”, complementa.</p> </blockquote> <p>Ele observa que, depois da década de 1980, “muitos dos antigos aliados e admiradores de Fidel passaram a se tornar críticos do sistema político cubano”.</p> <p>O professor cita como exemplo movimentos políticos de esquerda europeus, que perderam força nos seus países, partidos moderados na América Latina, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México, o radicalismo na Argentina e o socialismo chileno.</p> <p>“A virada à direita na América Latina esvaziou o apoio também”, pontua.</p> <p>Questionado sobre qual será o legado de Fidel Castro no próximo horizonte de 100 anos, Norberto Ferreras pondera que figuras políticas estão sempre vinculadas a uma realidade específica.</p> <blockquote> <p>“A presença de Fidel vai permanecer por um longo tempo em Cuba. É claro que este legado vai se transformar ao longo do tempo”, prevê.</p> </blockquote> <p>Ele contextualiza que o mundo passa por um processo de reformulação das instituições liberais democráticas e de mudança da relação entre a América Latina e os demais países, com os Estados Unidos e a China disputando influência.</p> <p>Dessa forma, prossegue ele, “é difícil poder ver a influência de Fidel Castro crescendo ao longo do tempo”.</p> <p>“Hoje é muito mais uma figura que fica restrita a um determinado período histórico, com uma grande influência no seu momento.”</p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.

Esta quinta-feira (13) é o ponto alto de um calendário de comemorações em Cuba, iniciado em agosto do ano passado. A data marca os 100 anos de nascimento de Fidel Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, movimento que mudou o regime político e econômico na ilha caribenha em 1959. Em meio à agenda de homenagens, os cubanos têm preocupações bem perceptíveis. Uma das mais presentes é a crise energética. Assim como a palavra centenário ganhou notoriedade nos últimos meses, o termo blecaute também foi bastante pronunciado, seja nas ruas de Havana, seja em outras regiões do país. Notícias relacionadas:Especialistas da ONU pedem medidas para evitar Gaza silenciosa em Cuba.Cuba tem novo apagão nacional em menos de 24 horas .Presidente de Cuba acusa EUA de “genocídio político” em meio a tensões.No início de agosto, por exemplo, os cubanos enfrentaram dois apagões nacionais em menos de 24 horas. Embargo e crise energética A crise energética é explicada pela capacidade limitada de produção elétrica em um sistema obsoleto e à pressão dos Estados Unidos, que dificultam a importação de petróleo e derivados. O país consegue produzir apenas um terço da necessidade nacional de petróleo, segundo a União Petrolífera de Cuba (Cupet), a maior empresa petrolífera da ilha. A energia que falta ao povo cubano também freia o desenvolvimento econômico de inúmeras atividades. Estimativas apontam que a economia deve registrar queda de 6,5% em 2026. Havana, 4/12/2024 - Rede elétrica de Cuba entra em colapso após falha em usina e milhões de pessoas ficam sem luz - Foto: Reuters/Norlys Perez/Arquivo/ Proibida a reprodução A situação é tão grave que especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) condenaram a pressão americana e instaram a comunidade internacional a atuar rapidamente para evitar uma “Gaza silenciosa” em Cuba, em referência à grave situação humanitária vivida pela população na Palestina. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chama o bloqueio americano de “genocídio político”. A pressão dos Estados Unidos é um endurecimento do embargo econômico iniciado em 1962, após o agravamento das relações entre Washington e Havana, marcado pela nacionalização de empresas americanas, pela falta de acordo sobre compensações e pela aproximação de Cuba revolucionária com a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A pressão atual faz com que o sistema de saúde na ilha, reconhecido internacionalmente por ser universal e gratuito, esteja à beira do colapso. Para alguns cubanos, é o pior momento já vivido pelo país. Além da questão econômica, o presidente americano, Donald Trump, já sugeriu que pode deflagrar uma ação militar contra Cuba. Fidel e a Revolução Entre os eventos deste 13 de agosto está um seminário internacional sobre o legado de Fidel e o futuro de Cuba. A personalidade que viria a ser o comandante em chefe da Revolução nasceu em Birán, um vilarejo rural na província de Holguín, no Leste da ilha. Hoje, a fazenda onde nasceram os irmãos Ramón, Fidel e Raúl faz parte de um conjunto histórico. Fidel Castro, líder da Revolução Cubana - Foto: Agência Lusa/Arquivo/Proibida a reprodução Um dos fatos marcantes da trajetória do então líder oposicionista foi o ataque ao Quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, na cidade de Santiago de Cuba. Liderados por Fidel, revolucionários tentaram derrubar o governo de Fulgencio Batista. A ação foi frustrada, e Fidel acabou sendo capturado. Ao ser julgado, em 16 de outubro daquele ano, Fidel fez o histórico discurso A História me Absolverá. O guerrilheiro foi condenado a 15 anos de prisão, mas anistiado pouco menos de dois anos depois. Ainda em 1955, Fidel foi para o exílio no México, país onde conheceu o argentino Ernesto “Che” Guevara, que anos depois estaria ao lado dele na Revolução Cubana. No México, organizou o Movimento 26 de Julho e de lá partiu para Cuba no iate Granma, desembarcando em 2 de dezembro de 1956 com mais de 80 expedicionários, com o objetivo de tomar o poder. Logo depois da chegada, o grupo de revolucionários foi atacado pelas forças de Fulgencio Batista. Os sobreviventes do Exército Rebelde se refugiaram nas cordilheiras de Sierra Maestra e, dali, conduziram a guerrilha até o triunfo da Revolução em 1º de janeiro de 1959. Décadas no poder Fidel ficou quase 50 anos no poder. Ainda nos primeiros anos implementou a nacionalização de empresas e a reforma agrária. Ao longo do regime, o líder do Partido Comunista adotou reformas que ampliaram o acesso à saúde, moradia e permitiram a alfabetização em massa da população. Passou para o mundo a imagem de um líder sempre de uniforme militar, barba e charuto. Mas essa imagem recebeu uma correção com o tempo, conforme destacou o escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura (1982): “Deixou de fumar para ter autoridade moral para combater o tabagismo”.No contexto da Guerra Fria, Fidel foi um dos principais aliados e beneficiados pela relação com a URSS. Por outro lado, foi um incômodo vizinho dos Estados Unidos, onde se exilaram muitos dos cubanos contrários a Fidel. Fidel Castro permaneceu no poder durante quase 50 anos - Foto: Arquivo/Agência Brasil Foi preciso resistir a diversas tentativas de influência externa para retirá-lo do poder, tanto militares quanto econômicas, como o embargo que dura até hoje. Fidel foi também inspirador e aliado do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, grande desafeto americano, morto em 2013. Ao lado de avanços sociais, Fidel atraiu críticas de dissidentes e organizações internacionais, que denunciavam práticas antidemocráticas, regime de partido único, censura, perseguição a opositores e violações de direitos humanos. Repressão A organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) reconhece que o governo de Fidel desenvolveu na ilha caribenha "importantes avanços" em questões sociais, direitos econômicos, educação, cultura e saúde. Mas a organização é vocal ao afirmar que o regime foi marcado pela repressão "de praticamente todas as formas de dissenso". "Milhares de cubanos foram encarcerados sob condições deploráveis, milhares de pessoas foram perseguidas e intimidadas, e gerações inteiras tiveram suas liberdades políticas básicas negadas", escreveu a HRW em comunicado publicado no dia seguinte à morte de Fidel Castro. Para a organização, o embargo americano serviu para "justificar abusos do regime". “Durante décadas, Fidel Castro foi o principal beneficiário de uma política de isolamento profundamente equivocada dos EUA, que lhe permitiu se apresentar como vítima e, ao fazê-lo, desencorajar outros governos de repudiar suas práticas repressivas”, disse à época o chileno José Miguel Vivanco, então diretor para as Américas da HRW. Fidel Castro renunciou definitivamente à Presidência em 2008 - Foto: Agência Lusa/Alejandro Ernesto/Arquivo/Proibida a reprodução Outra organização não governamental, a Anistia Internacional, também reconheceu no dia da morte que houve avanços sociais em Cuba, mas afirmou que o estado da liberdade de expressão na ilha, "onde ativistas continuam a ser presos e perseguidos por se manifestarem contra o governo, é o legado mais sombrio de Fidel Castro". A instituição afirmou que testemunhou "centenas de histórias de 'prisioneiros de consciência' – pessoas detidas pelo governo simplesmente por exercerem pacificamente seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião". A Anistia Internacional lembrou ainda que, após tomar o poder, "Castro organizou julgamentos de membros do governo anterior, que resultaram em centenas de execuções sumárias". Transição e renúncia Em 31 de julho de 2006, dias antes de completar 80 anos de idade e 47 no poder, Fidel Castro se licenciou da Presidência por questões de saúde. Ele sofria de complicações no intestino e precisava passar por uma cirurgia. “Dias e noites de trabalho contínuo, praticamente sem dormir, fizeram com que a minha saúde, que tem resistido a todos os testes, se submetesse a um estresse extremo, e se quebrasse. Isto me provocou uma crise intestinal aguda com sangramento sustentado, que me obrigou a enfrentar uma complicada intervenção cirúrgica”, disse em comunicado dias após uma viagem à Argentina. Raúl Castro sucedeu Fidel na Presidência de Cuba - Foto: Arquivo/Agência Brasil Fidel delegou para o irmão e companheiro de revolução, Raúl Castro, os postos mais altos da cúpula do regime: primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista, comandante em chefe das Forças Armadas Revolucionárias e presidente do Conselho de Estado e do Governo da República. A previsão inicial era de permanecer “várias semanas em repouso”. Em 19 de fevereiro de 2008, Fidel renunciou definitivamente à Presidência. “Não me despeço de vocês. Só desejo combater como soldado das ideias”, escreveu. Raúl foi presidente até abril de 2018, sucedido pelo atual presidente Miguel Díaz-Canel. Fidel Castro morreu na noite de 25 de novembro de 2016, já madrugada de 26 aqui no Brasil, aos 90 anos. O luto oficial demorou nove dias, com despedida do público em Havana e uma carreata com as cinzas até Santiago de Cuba. Em Miami, cidade americana que concentra cubanos exilados, os oposicionistas foram às ruas comemorar a morte de Fidel, a quem chamavam de ditador. Legado A professora de história Adriane Aparecida Vidal Costa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), classifica o legado de Fidel como “um dos temas mais polarizados e controversos da historiografia latino-americana”. Ela explicou à Agência Brasil que, de um lado, há historiadores que focam em questões autoritárias de Fidel Castro no que diz respeito à democracia e aos direitos humanos, que colocam no centro do debate fatores como a instituição do regime de partido único desde 1965, o controle estatal da imprensa, a perseguição e prisão de dissidentes, a repressão a homossexuais nas décadas de 1960 e 1970, “posteriormente revista pelo governo cubano”. A pesquisadora contrapõe que outra parte da historiografia se atém à soberania nacional frente aos Estados Unidos, às conquistas sociais, com indicadores comparáveis aos de países desenvolvidos, à redução de desigualdades históricas. Ela acrescenta um modelo de "democracia participativa", via organizações de massa, como os sindicatos e assembleias de bairro, “considerada por essa vertente uma forma alternativa de legitimidade popular, distinta do modelo liberal-representativo”. A professora Adriane Costa aponta que os avanços sociais são vistos como maiores acertos da Revolução Cubana, incluindo “indicadores de mortalidade infantil e expectativa de vida destacados por organismos como a Organização Mundial da Saúde”. Por outro lado, são sinalizados erros como concentração de poder político e ausência de alternância democrática por décadas. Além disso, cita, houve dependência do subsídio soviético até 1991 e problemas crônicos de produtividade e abastecimento. Ela acrescenta que o processo migratório massivo é interpretado como sintoma de insatisfação interna da população. A docente da UFMG considera que o embargo americano é uma resposta dos EUA à nacionalização de empresas sem compensação considerada adequada e outros fatores, como o alinhamento à URSS e apoio a movimentos revolucionários em países latino-americanos. “Foi muito mais uma retaliação do que propriamente resultado das escolhas de Fidel Castro”, diz. A acadêmica considera que a situação de crise na ilha caribenha é reflexo de elementos como o bloqueio econômico, agravado durante o governo Trump, e do colapso de parceiros, como a URSS e, mais recentemente, a Venezuela. “O modelo institucional herdado de Fidel criou as condições estruturais de vulnerabilidade, como baixa diversificação econômica, dependência externa [URSS] e ausência de reformas econômicas mais profundas durante o ‘Período Especial’ dos anos 1990 [crise iniciada com o fim da URSS]”, elenca. Adriane Costa lista ainda a pandemia de covid-19, que teve impacto severo no turismo, principal fonte da economia cubana. Fidel Castro morreu aos 90 anos - Foto: Agência Lusa/Alejandro Ernesto/Arquivo/Proibida a reprodução Parte da história O professor de história Norberto Osvaldo Ferreras, da Universidade Federal Fluminense, acredita que é impossível dissociar Fidel Castro da história de Cuba no século 20. “Podemos dizer que Cuba se divide em duas grandes figuras, José Martí, o herói da independência, e Fidel, o herói da emancipação definitiva.” Líder nacionalista, José Martí morreu em 1895, durante a luta pela independência de Cuba, sete anos antes de o país se tornar formalmente independente. O especialista da UFF compara o atrelamento de Fidel ao país à importância de Nelson Mandela (1918-2013) para a África do Sul. “São figuras que marcaram uma transição de um modelo político a outro, que foram política, militar e socialmente ativas, com fortíssimas presenças internacionais”, disse o argentino à Agência Brasil. Ele atribui palavras-chave ao legado de Castro: latino-americanista, anti-imperialista e anticapitalista. Norberto Ferreras classifica de “complicada” a análise do legado sob o ponto de vista de democracia. “Cuba nunca foi uma democracia representativa eleitoral”, diz. Para ele, a revolução socialista “recolocou os termos da democracia liberal burguesa e estabeleceu novos parâmetros de representatividade”. “A eleição de presidente se dá pela via não direta”, apresenta. Segundo o docente, Fidel aumentou a representatividade em uma “sociedade que estava fechada em um regime autoritário apoiado pelos Estados Unidos”. Fulgencio Batista exerceu a Presidência de Cuba de 1940 a 1944, após ser eleito, no entanto, voltou ao poder em 1952, por meio de um golpe de Estado, governando como ditador até 1º de janeiro de 1959. O professor compartilha da ideia de que a existência de um partido único é fator complicador de Cuba. Influência internacional O acadêmico da UFF destaca que o ex-presidente cubano teve enorme influência no restante da América Latina, principalmente nas décadas de 1960 e 1970. “Uma influência direta nos processos revolucionários, como motor, financiador e também refúgio de muitos militantes de esquerda, revolucionários”, descreve. Personalidades brasileiras viveram em Cuba enquanto o Brasil era submetido à ditadura militar (1964-1985). “Fidel tem uma importância decisiva na trajetória que tiveram os movimentos revolucionários e de esquerda na América Latina”, complementa. Ele observa que, depois da década de 1980, “muitos dos antigos aliados e admiradores de Fidel passaram a se tornar críticos do sistema político cubano”. O professor cita como exemplo movimentos políticos de esquerda europeus, que perderam força nos seus países, partidos moderados na América Latina, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México, o radicalismo na Argentina e o socialismo chileno. “A virada à direita na América Latina esvaziou o apoio também”, pontua. Questionado sobre qual será o legado de Fidel Castro no próximo horizonte de 100 anos, Norberto Ferreras pondera que figuras políticas estão sempre vinculadas a uma realidade específica. “A presença de Fidel vai permanecer por um longo tempo em Cuba. É claro que este legado vai se transformar ao longo do tempo”, prevê. Ele contextualiza que o mundo passa por um processo de reformulação das instituições liberais democráticas e de mudança da relação entre a América Latina e os demais países, com os Estados Unidos e a China disputando influência. Dessa forma, prossegue ele, “é difícil poder ver a influência de Fidel Castro crescendo ao longo do tempo”. “Hoje é muito mais uma figura que fica restrita a um determinado período histórico, com uma grande influência no seu momento.”

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