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Acordo com Arábia Saudita expõe contradição dos EUA na questão nuclear

Source: agenciabrasil.ebc.com.br Published Fri, 24 Jul 2026 17:10:00 -0300
Acordo com Arábia Saudita expõe contradição dos EUA na questão nuclear

Why This Matters

Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-07/acordo-com-arabia-saudita-expoe-contradicao-dos-eua-na-questao-nuclear"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p><strong>O acordo de cooperação nuclear anunciado pelos Estados Unidos (EUA) e pela Arábia Saudita, que deve durar “décadas” e envolveria bilhões de dólares, expõe a contradição da política externa da Casa Branca em relação à questão nuclear. O <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-07/eua-e-arabia-saudita-fecham-acordo-de-energia-nuclear" target="_blank">acordo</a>, que não foi divulgado na íntegra, deve ainda passar por análise do Congresso estadunidense.</strong><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1697473&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1697473&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>A contradição se expressa pelo fato de o governo Donald Trump fechar essa parceria com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, abrindo caminho para o que o país enriqueça urânio, ainda que alegue que é para fins pacíficos, logo após começar uma guerra exigindo o fim do enriquecimento de urânio no<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-06/conheca-historia-nuclear-do-ira-e-como-ela-explica-guerra-de-israel" target="_blank"> Irã</a>, ainda que Teerã sustente que o programa não tem objetivos militares.</p> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-07/eua-e-arabia-saudita-fecham-acordo-de-energia-nuclear">EUA e Arábia Saudita fecham acordo de energia nuclear.</a></li></ul>Depois de críticas de Israel, Trump foi às redes sociais afirmar que a parceria nuclear estaria condicionada à assinatura, pela Arábia Saudita, dos acordos de Abraão, o que colocou em dúvida o futuro do acordo nuclear entre Washington e Riade, a capital do reino árabe.</p> <p>Promovidos por Trump, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-06/exigido-por-trump-acordo-de-abraao-isola-palestinos-frente-israel" target="_blank">os acordos de Abraão</a> obrigam os países árabes a reconhecer Israel independentemente da questão palestina. Os sauditas têm sustentado que apenas assinariam o acordo com garantias para um Estado palestino, o que é rejeitado pelo governo de Benjamin Netanyahu.</p> <div class="dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=469765:medio_4colunas {"additionalClasses":""} --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/fopw-wcq-XBj8DkjQfWy5Ywaw-o=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/24/05_12_prof_dr_franciscocarlos-architectural-scale-2_00x_copy.jpg?itok=HwVHKNzh" alt="Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ). Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal" title="Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/fopw-wcq-XBj8DkjQfWy5Ywaw-o=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/24/05_12_prof_dr_franciscocarlos-architectural-scale-2_00x_copy.jpg?itok=HwVHKNzh" alt="Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ). Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal" title="Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal"></noscript> <!-- END scald=469765 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta">Historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva - <strong>Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal</strong><!--END copyright=469765--></div> </div></div> <h2>Proteção à Arábia Saudita</h2> <p><strong>O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva avalia que o acordo expõe a contradição na política nuclear dos EUA, sendo uma forma de Trump reverter a perda de confiança de Riade, após a guerra com o Irã, em relação à proteção que Washington daria ao país árabe.</strong></p> <p>“Isso é um reconhecimento da falência do ‘escudo americano’. Tudo isso se dá em meio a um bombardeio pesado do Irã contra a Arábia Saudita. Agora os EUA sugerem que os sauditas podem ter armas nucleares e, com isso, poderiam responder ao Irã com armas nucleares”, disse à <strong>Agência Brasil</strong>.</p> <p>Apesar de o governo Trump afirmar que a Arábia Saudita não desenvolveria armas nucleares, especialistas e organizações que lutam contra a proliferação de armas atômicas alertam que a monarquia não tem aceitado assinar um “protocolo adicional” com a Agência de Energia Atômica (AIEA) que permitiria inspeções-surpresa.</p> <p>“Os líderes sauditas, por vezes, manifestaram o desejo de desenvolver um ciclo de combustível completo, desde a extração de urânio até o reprocessamento do combustível irradiado. Isso não é típico de países que estão apenas iniciando programas de energia nuclear”, disse a <a href="https://www.armscontrol.org/act/2026-06/features/saudi-arabias-gilded-nuclear-sweetheart-deal" target="_blank">Associação de Controle de Armas</a>.</p> <p><strong>A organização não governamental (ONG) dos EUA argumenta que permitir que a Arábia Saudita ignore o protocolo adicional da AIEA enfraquece a posição de Washington nas negociações com Teerã.</strong></p> <div class="dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=469764:medio_4colunas {"additionalClasses":""} --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/Xu-9suocpvrOhySFx5DJbD3nakw=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/24/2026-07-23t101015z_355322208_rc2gamak1acb_rtrmadp_3_gulf-canada-visit.jpg?itok=sL8sEB9A" alt="Canadian Prime Minister Mark Carney meets Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman in Jeddah, Saudi Arabia, July 9, 2026. Saudi Press Agency/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. REFILE - CORRECTING ID FROM "SAUDI MINISTER OF ENERGY, PRINCE ABDULAZIZ BIN SALMAN AL SAUD" TO "SAUDI CROWN PRINCE MOHAMMED BIN SALMAN"." title="SAUDI NEWS AGENCY/Reuters/ Proibido reprodução"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/Xu-9suocpvrOhySFx5DJbD3nakw=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/24/2026-07-23t101015z_355322208_rc2gamak1acb_rtrmadp_3_gulf-canada-visit.jpg?itok=sL8sEB9A" alt="Canadian Prime Minister Mark Carney meets Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman in Jeddah, Saudi Arabia, July 9, 2026. Saudi Press Agency/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. REFILE - CORRECTING ID FROM "SAUDI MINISTER OF ENERGY, PRINCE ABDULAZIZ BIN SALMAN AL SAUD" TO "SAUDI CROWN PRINCE MOHAMMED BIN SALMAN"." title="SAUDI NEWS AGENCY/Reuters/ Proibido reprodução"></noscript> <!-- END scald=469764 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta">Príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman - <strong>Foto: Saudi News Agency/Reuters/ Proibida a reprodução</strong><!--END copyright=469764--></div> </div></div> <p>“Fechar um acordo com a Arábia Saudita antes de resolver a questão nuclear iraniana seria insensato e míope”, diz a entidade, acrescentando que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, afirmou, em 2018, que buscaria uma arma nuclear caso o Irã tivesse acesso a uma.</p> <h2>Sinal alarmante para Oriente Médio</h2> <p><strong>O professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Goulart Menezes destacou à Agência Brasil que, embora a Arábia Saudita tenha assinado o Acordo de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), a parceria com os EUA envia um sinal contraditório para o Oriente Médio.</strong></p> <blockquote> <p>“É alarmante porque, embora haja um compromisso para enriquecer o urânio para fins pacíficos, o fato é que, na trajetória do programa nuclear da Arábia Saudita, pode haver outros interesses no futuro que sejam diferentes do ponto de partida. Isso aumenta as incertezas na região”, comentou.</p> </blockquote> <p>O especialista da UnB lembra que, desde a Guerra Fria, os EUA trabalham para convencer países a abrir mão de desenvolver armamentos nucleares ou mesmo promover programas nucleares. Brasil, México e África do Sul são exemplos de nações que assinaram o TNP em meio à pressão de Washington.</p> <div class="dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=367357:medio_4colunas {"additionalClasses":""} --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/883zT0v_zknaPwytI8TI_R9JZps=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/alta2_whatsapp_image_2024-01-10_at_14.41.58_jv.jpg?itok=NgKJOYiY" alt="Brasil deve aproveitar G20 no país para projetar sua política externa. Roberto. Foto: Arquivo Pessoal" title="Arquivo pessoal"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/883zT0v_zknaPwytI8TI_R9JZps=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/alta2_whatsapp_image_2024-01-10_at_14.41.58_jv.jpg?itok=NgKJOYiY" alt="Brasil deve aproveitar G20 no país para projetar sua política externa. Roberto. Foto: Arquivo Pessoal" title="Arquivo pessoal"></noscript> <!-- END scald=367357 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=367357-->Professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Goulart Menezes - <strong>Foto: Roberto Goulart Menezes/Arquivo pessoal</strong><!--END copyright=367357--></div> </div></div> <p>“Juntamente com a União Soviética (URSS), o objetivo dos EUA era barrar a proliferação nuclear. Isso porque quanto mais Estados passassem a ter acesso à tecnologia nuclear e, no momento seguinte, a possibilidade de ter arma atômica, isso diminuiria o poder dos EUA e da URSS”, contextualizou Menezes.</p> <h2>Coreia do Sul</h2> <p>O acordo dos EUA com Arábia Saudita contrasta ainda com a política nuclear da Casa Branca para a Coreia do Sul que, há décadas, busca uma parceria com Washington para enriquecer urânio diante das tensões militares com a Coreia no Norte.</p> <p>“[Isso] expõe um flagrante duplo padrão na política nuclear americana. Washington parece ter aberto caminho para que a Arábia Saudita obtenha direitos de enriquecimento para usinas nucleares que ainda não foram construídas, enquanto os nega à Coreia do Sul, que já opera 26 reatores”, escreveu o correspondente do <em>The New York Times</em> em Seul, Choe Sang-Hun.</p> <h2>Negociações começaram em 2008</h2> <p>Desde 2008, EUA e Arábia Saudita discutem um possível acordo nuclear para fins pacíficos. Em 2020, o <a href="https://www.congress.gov/crs_external_products/IF/PDF/IF10799/IF10799.29.pdf" target="_blank">Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA (GAO, na sigla em inglês)</a> relatou que os países não haviam feito “progressos significativos” para um acordo.<br /> “Devido a divergências persistentes sobre condições de não proliferação, incluindo aquelas relacionadas a um Protocolo Adicional e a restrições ao enriquecimento e ao reprocessamento de material nuclear”, escreveu o escritório ligado à Casa Branca.</p> <p>A divergência teria persistido durante a administração de Joe Biden (2021-2025), alimentada ainda pelo assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado da Arábia Saudita na Turquia.</p> <p>A investigação do governo turco apontou que o jornalista, que era crítico da monarquia do país, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2018-11/corpo-de-khashoggi-foi-dissolvido-diz-assessor-do-presidente-turco" target="_blank">foi esquartejado e teve o corpo dissolvido</a> em substância química por funcionários da embaixada do regime do Oriente Médio. O caso mobilizou a opinião pública estadunidense contra a Arábia Saudita.</p> <p>A situação mudou no segundo mandato do presidente Donald Trump. Em novembro do ano passado, os países assinaram uma declaração conjunta sobre o tema, mostrando avanço nas negociações.</p> <p>Com a escalada da guerra no Oriente Médio nos últimos dias, o acordo foi anunciado. Isso apenas dois dias após os houthis, do Iêmen,<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-07/preco-do-petroleo-supera-os-us-100-apos-ataques-no-mar-vermelho" target="_blank"> bloquearem a passagem</a> dos navios sauditas no Estreito de Bad el-Mandeb, no Mar Vermelho, prejudicando as exportações do país, já prejudicadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz.<br />  </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-center"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=469659:grande_6colunas {"additionalClasses":""} --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/C0SDQMm6IIbLa0n6R2S00VkFaAE=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/23/estreito-de-bad-el-mandeb_2.png?itok=nOYStDH-" alt="Estreito de Bad el Mandeb" title="Arte Dijor/EBC"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/C0SDQMm6IIbLa0n6R2S00VkFaAE=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/23/estreito-de-bad-el-mandeb_2.png?itok=nOYStDH-" alt="Estreito de Bad el Mandeb" title="Arte Dijor/EBC"></noscript> <!-- END scald=469659 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><strong>Arte Dijor/EBC</strong><!--END copyright=469659--></div> </div></div> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.

O acordo de cooperação nuclear anunciado pelos Estados Unidos (EUA) e pela Arábia Saudita, que deve durar “décadas” e envolveria bilhões de dólares, expõe a contradição da política externa da Casa Branca em relação à questão nuclear. O acordo, que não foi divulgado na íntegra, deve ainda passar por análise do Congresso estadunidense. A contradição se expressa pelo fato de o governo Donald Trump fechar essa parceria com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, abrindo caminho para o que o país enriqueça urânio, ainda que alegue que é para fins pacíficos, logo após começar uma guerra exigindo o fim do enriquecimento de urânio no Irã, ainda que Teerã sustente que o programa não tem objetivos militares. Notícias relacionadas:EUA e Arábia Saudita fecham acordo de energia nuclear.Depois de críticas de Israel, Trump foi às redes sociais afirmar que a parceria nuclear estaria condicionada à assinatura, pela Arábia Saudita, dos acordos de Abraão, o que colocou em dúvida o futuro do acordo nuclear entre Washington e Riade, a capital do reino árabe. Promovidos por Trump, os acordos de Abraão obrigam os países árabes a reconhecer Israel independentemente da questão palestina. Os sauditas têm sustentado que apenas assinariam o acordo com garantias para um Estado palestino, o que é rejeitado pelo governo de Benjamin Netanyahu. Historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva - Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal Proteção à Arábia Saudita O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva avalia que o acordo expõe a contradição na política nuclear dos EUA, sendo uma forma de Trump reverter a perda de confiança de Riade, após a guerra com o Irã, em relação à proteção que Washington daria ao país árabe. “Isso é um reconhecimento da falência do ‘escudo americano’. Tudo isso se dá em meio a um bombardeio pesado do Irã contra a Arábia Saudita. Agora os EUA sugerem que os sauditas podem ter armas nucleares e, com isso, poderiam responder ao Irã com armas nucleares”, disse à Agência Brasil. Apesar de o governo Trump afirmar que a Arábia Saudita não desenvolveria armas nucleares, especialistas e organizações que lutam contra a proliferação de armas atômicas alertam que a monarquia não tem aceitado assinar um “protocolo adicional” com a Agência de Energia Atômica (AIEA) que permitiria inspeções-surpresa. “Os líderes sauditas, por vezes, manifestaram o desejo de desenvolver um ciclo de combustível completo, desde a extração de urânio até o reprocessamento do combustível irradiado. Isso não é típico de países que estão apenas iniciando programas de energia nuclear”, disse a Associação de Controle de Armas. A organização não governamental (ONG) dos EUA argumenta que permitir que a Arábia Saudita ignore o protocolo adicional da AIEA enfraquece a posição de Washington nas negociações com Teerã. Príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman - Foto: Saudi News Agency/Reuters/ Proibida a reprodução “Fechar um acordo com a Arábia Saudita antes de resolver a questão nuclear iraniana seria insensato e míope”, diz a entidade, acrescentando que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, afirmou, em 2018, que buscaria uma arma nuclear caso o Irã tivesse acesso a uma. Sinal alarmante para Oriente Médio O professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Goulart Menezes destacou à Agência Brasil que, embora a Arábia Saudita tenha assinado o Acordo de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), a parceria com os EUA envia um sinal contraditório para o Oriente Médio. “É alarmante porque, embora haja um compromisso para enriquecer o urânio para fins pacíficos, o fato é que, na trajetória do programa nuclear da Arábia Saudita, pode haver outros interesses no futuro que sejam diferentes do ponto de partida. Isso aumenta as incertezas na região”, comentou. O especialista da UnB lembra que, desde a Guerra Fria, os EUA trabalham para convencer países a abrir mão de desenvolver armamentos nucleares ou mesmo promover programas nucleares. Brasil, México e África do Sul são exemplos de nações que assinaram o TNP em meio à pressão de Washington. Professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Goulart Menezes - Foto: Roberto Goulart Menezes/Arquivo pessoal “Juntamente com a União Soviética (URSS), o objetivo dos EUA era barrar a proliferação nuclear. Isso porque quanto mais Estados passassem a ter acesso à tecnologia nuclear e, no momento seguinte, a possibilidade de ter arma atômica, isso diminuiria o poder dos EUA e da URSS”, contextualizou Menezes. Coreia do Sul O acordo dos EUA com Arábia Saudita contrasta ainda com a política nuclear da Casa Branca para a Coreia do Sul que, há décadas, busca uma parceria com Washington para enriquecer urânio diante das tensões militares com a Coreia no Norte. “[Isso] expõe um flagrante duplo padrão na política nuclear americana. Washington parece ter aberto caminho para que a Arábia Saudita obtenha direitos de enriquecimento para usinas nucleares que ainda não foram construídas, enquanto os nega à Coreia do Sul, que já opera 26 reatores”, escreveu o correspondente do The New York Times em Seul, Choe Sang-Hun. Negociações começaram em 2008 Desde 2008, EUA e Arábia Saudita discutem um possível acordo nuclear para fins pacíficos. Em 2020, o Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA (GAO, na sigla em inglês) relatou que os países não haviam feito “progressos significativos” para um acordo. “Devido a divergências persistentes sobre condições de não proliferação, incluindo aquelas relacionadas a um Protocolo Adicional e a restrições ao enriquecimento e ao reprocessamento de material nuclear”, escreveu o escritório ligado à Casa Branca. A divergência teria persistido durante a administração de Joe Biden (2021-2025), alimentada ainda pelo assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado da Arábia Saudita na Turquia. A investigação do governo turco apontou que o jornalista, que era crítico da monarquia do país, foi esquartejado e teve o corpo dissolvido em substância química por funcionários da embaixada do regime do Oriente Médio. O caso mobilizou a opinião pública estadunidense contra a Arábia Saudita. A situação mudou no segundo mandato do presidente Donald Trump. Em novembro do ano passado, os países assinaram uma declaração conjunta sobre o tema, mostrando avanço nas negociações. Com a escalada da guerra no Oriente Médio nos últimos dias, o acordo foi anunciado. Isso apenas dois dias após os houthis, do Iêmen, bloquearem a passagem dos navios sauditas no Estreito de Bad el-Mandeb, no Mar Vermelho, prejudicando as exportações do país, já prejudicadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Arte Dijor/EBC

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