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Itamaraty: diplomatas indígenas e quilombolas tomam posse pela 1º vez

Source: agenciabrasil.ebc.com.br Published Thu, 05 Nov 2026 19:41:00 -0300
Itamaraty: diplomatas indígenas e quilombolas tomam posse pela 1º vez

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Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-11/itamaraty-diplomatas-indigenas-e-quilombolas-tomam-posse-pela-1o-vez"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p><strong>Os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, tomaram posse nesta quarta-feira (4), no Palácio Itamaraty, em Brasília, como diplomatas.</strong> É a primeira vez na história brasileira que representantes de povos originários entram para o curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.<img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1707879&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1707879&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>Antes de servir, Marcelo e Idjahure vão integrar a turma que se inicia em 2026 e termina em 2028. O curso tem cerca de 60 alunos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). <strong>Do total, quase metade dos ingressos são de grupos subrepresentados na diplomacia brasileira, com 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência e uma quilombola, além dos dois indígenas.</strong></p> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-11/lula-quer-economia-arrumada-para-atrair-investimentos">Lula quer economia arrumada para atrair investimentos.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-11/novembro-negro-10-comunidades-quilombolas-recebem-titulos-fundiarios">Novembro Negro: 10 comunidades quilombolas recebem títulos fundiários.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-11/forca-nacional-apoiara-funai-na-terra-indigena-ituna-itata-no-para">Força Nacional apoiará Funai na Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará.</a></li></ul><strong>O grupo também tem maior participação proporcional feminina da história, com 45% de mulheres.</strong></p> <p>O concurso que selecionou os novos alunos do Instituto Rio Branco contou com ações afirmativas como uma política estabelecida no Estatuto da Igualdade Racial (2010) e uma reivindicação de anos dos movimentos de defesa dos direitos humanos.<br /> <br /> <a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029VaoRTgrInlqYLSk59B2M" target="_blank">&gt;&gt; Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp</a></p> <p>Nesta quinta-feira (5), no evento de posse dos novos diplomatas, a ministra interina das Relações exteriores, Maria Laura da Rocha, destacou a necessidade de o corpo diplomático brasileiro refletir a diversidade do próprio povo.</p> <p>“Em tempos de ameaças à democracia e aos direitos duramente reconhecidos na Constituição de 1988, celebrar a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas brasileiros nessa instituição bicentenária é um ato de resistência”, afirmou Laura da Rocha.</p> <blockquote> <p>"Ao fazer isso, o Itamaraty reafirma com convicção o papel que esses grupos sociais têm e devem ter na definição da posição do Brasil no mundo”, declarou..</p> </blockquote> <p>A ministra citou medidas do ministério para promover essa diversidade, como o aumento do Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que passou a apoiar, além de pessoas negras, mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.</p> <p><strong>O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que posse é a materialização do conceito de "Aldear o Estado", a partir da inserção de lideranças indígenas em espaços técnicos capazes de influenciar decisões dentro e fora do país.</strong></p> <p>Olhando para trás, ele lembrou que indígenas que chegam hoje ao Itamaraty, há poucos séculos, sequer eram considerados seres humanos.</p> <blockquote> <p>"É um momento altamente simbólico. Não é apenas um ganho individual ou coletivo, é um ganho de toda a nação e do Estado brasileiro”, disse Terena.</p> </blockquote> <p>Convidado de honra da cerimônia, intelectual e escritor indígena, trajando a farda da Academia Brasileira de Letras (ABL), o escritor e imortal Ailton Krenak também celebrou o momento e destacou que a presença das famílias e das crianças indígenas na solenidade rompe com a frieza institucional.</p> <blockquote> <p>"Que mesmo diante das quase impossibilidades, eles sejam capazes de exercitar o verbo esperançar e produzir mundos ricos de sentido", declarou.</p> </blockquote> <h2>Trajetória</h2> <p>Os dois jovens indígenas que ingressam na carreira diplomática têm destacada trajetória acadêmica e profissional. Marcelo Kariri, natural de Campina Grande (PB) é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), tem MBA em Digital Business pela USP/Esalq. Atuou entre 2021 e 2025 como Engenheiro de Suporte a Produtos e é autor de livro infanto-juvenil.</p> <p>"Havia uma tradição permeando onde minha família morava de que pessoas como nós enlouqueceriam se estudassem e deveriam ficar apenas nos trabalhos braçais", contou na cerimônia. "Minha mãe viu na educação uma porta para a vida".</p> <p>Idjahure Achkar Terena é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É também bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).</p> <p>"Estrar no Itamaraty é ter consciência de toda essa história pretérita de exclusão e tutela, batalhando por um futuro ancestral e por um novo presente onde a nossa diversidade étnica finalmente integre o Estado", avaliou. Idjahure é filho do artista Macsuara Kadiwéu, o primeiro ator indígena do cinema brasileiro.</p> <p>De uma população de 203 milhões de pessoas, o Brasil tem 1,2 milhão de indígenas distribuídos em 391 etnias falantes de 295 linguas distintas, além de 114 grupos isolados ou de recente contato. Já a população negra do país totaliza 92,1 milhões de pessoas, dos quais 45,3% são pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.</p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.

Os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, tomaram posse nesta quarta-feira (4), no Palácio Itamaraty, em Brasília, como diplomatas. É a primeira vez na história brasileira que representantes de povos originários entram para o curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. Antes de servir, Marcelo e Idjahure vão integrar a turma que se inicia em 2026 e termina em 2028. O curso tem cerca de 60 alunos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Do total, quase metade dos ingressos são de grupos subrepresentados na diplomacia brasileira, com 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência e uma quilombola, além dos dois indígenas. Notícias relacionadas:Lula quer economia arrumada para atrair investimentos.Novembro Negro: 10 comunidades quilombolas recebem títulos fundiários.Força Nacional apoiará Funai na Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará.O grupo também tem maior participação proporcional feminina da história, com 45% de mulheres. O concurso que selecionou os novos alunos do Instituto Rio Branco contou com ações afirmativas como uma política estabelecida no Estatuto da Igualdade Racial (2010) e uma reivindicação de anos dos movimentos de defesa dos direitos humanos. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Nesta quinta-feira (5), no evento de posse dos novos diplomatas, a ministra interina das Relações exteriores, Maria Laura da Rocha, destacou a necessidade de o corpo diplomático brasileiro refletir a diversidade do próprio povo. “Em tempos de ameaças à democracia e aos direitos duramente reconhecidos na Constituição de 1988, celebrar a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas brasileiros nessa instituição bicentenária é um ato de resistência”, afirmou Laura da Rocha. "Ao fazer isso, o Itamaraty reafirma com convicção o papel que esses grupos sociais têm e devem ter na definição da posição do Brasil no mundo”, declarou.. A ministra citou medidas do ministério para promover essa diversidade, como o aumento do Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que passou a apoiar, além de pessoas negras, mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que posse é a materialização do conceito de "Aldear o Estado", a partir da inserção de lideranças indígenas em espaços técnicos capazes de influenciar decisões dentro e fora do país. Olhando para trás, ele lembrou que indígenas que chegam hoje ao Itamaraty, há poucos séculos, sequer eram considerados seres humanos. "É um momento altamente simbólico. Não é apenas um ganho individual ou coletivo, é um ganho de toda a nação e do Estado brasileiro”, disse Terena. Convidado de honra da cerimônia, intelectual e escritor indígena, trajando a farda da Academia Brasileira de Letras (ABL), o escritor e imortal Ailton Krenak também celebrou o momento e destacou que a presença das famílias e das crianças indígenas na solenidade rompe com a frieza institucional. "Que mesmo diante das quase impossibilidades, eles sejam capazes de exercitar o verbo esperançar e produzir mundos ricos de sentido", declarou. Trajetória Os dois jovens indígenas que ingressam na carreira diplomática têm destacada trajetória acadêmica e profissional. Marcelo Kariri, natural de Campina Grande (PB) é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), tem MBA em Digital Business pela USP/Esalq. Atuou entre 2021 e 2025 como Engenheiro de Suporte a Produtos e é autor de livro infanto-juvenil. "Havia uma tradição permeando onde minha família morava de que pessoas como nós enlouqueceriam se estudassem e deveriam ficar apenas nos trabalhos braçais", contou na cerimônia. "Minha mãe viu na educação uma porta para a vida". Idjahure Achkar Terena é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É também bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). "Estrar no Itamaraty é ter consciência de toda essa história pretérita de exclusão e tutela, batalhando por um futuro ancestral e por um novo presente onde a nossa diversidade étnica finalmente integre o Estado", avaliou. Idjahure é filho do artista Macsuara Kadiwéu, o primeiro ator indígena do cinema brasileiro. De uma população de 203 milhões de pessoas, o Brasil tem 1,2 milhão de indígenas distribuídos em 391 etnias falantes de 295 linguas distintas, além de 114 grupos isolados ou de recente contato. Já a população negra do país totaliza 92,1 milhões de pessoas, dos quais 45,3% são pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.

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