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Brasil precisa garantir contrapartidas para receber data centers

Source: agenciabrasil.ebc.com.br Published Mon, 27 Jul 2026 19:26:00 -0300
Brasil precisa garantir contrapartidas para receber data centers

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Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-07/brasil-precisa-garantir-contrapartidas-para-receber-data-centers"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p>A expansão dos data centers no Brasil exige planejamento, transparência e regras que garantam benefícios ao país e reduzam impactos socioambientais. A avaliação foi feita por pesquisadores em um debate realizado nesta segunda-feira (27), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).<img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1697773&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1697773&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>Os professores Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), e Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defenderam que <strong>a instalação de grandes centros de processamento de dados precisa ser acompanhada de políticas públicas e maior participação da comunidade científica</strong>.</p> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-02/brasileira-referencia-em-pesquisa-sobre-hpv-e-homenageada-pela-sbpcoras-de-destaque-na-ciencia-brasileira">Brasileira referência em pesquisa sobre HPV é homenageada pela SBPC.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/cientistas-da-fiocruz-podem-produzir-vacina-completa-contra-malaria">Cientistas da Fiocruz podem produzir vacina completa contra a malária.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/pesquisa-aponta-lacuna-entre-conhecimento-e-uso-de-prep-contra-o-hiv">Pesquisa aponta lacuna entre conhecimento e uso de PrEP contra o HIV.</a></li></ul>Para Mauro Oliveira, o Brasil corre o risco de repetir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais sem garantir contrapartidas para o desenvolvimento nacional.</p> <blockquote> <p>"O problema não é receber data centers. O problema é receber esses investimentos sem negociação. O Brasil precisa definir o que quer exigir em troca", disse Mauro.</p> </blockquote> <p>Segundo o pesquisador, a discussão sobre data centers ainda está restrita a poucos setores e deveria mobilizar universidades, governo e sociedade. Ele argumentou que <strong>esses empreendimentos trazem desafios relacionados ao consumo de energia, à soberania digital e ao controle da infraestrutura tecnológica</strong>.</p> <p>Oliveira citou o projeto de instalação de um grande data center voltado à inteligência artificial no Ceará. Segundo ele, a unidade deverá consumir cerca de 300 megawatts de potência, demanda equivalente à capacidade de abastecimento de milhões de pessoas.</p> <p>"O mundo, hoje, não consegue produzir energia suficiente para atender à demanda projetada pelos data centers de inteligência artificial", disse.</p> <p>Além da energia, Oliveira defendeu que o país estabeleça mecanismos permanentes de monitoramento, auditoria e transparência sobre os projetos.</p> <p>"O papel das universidades é participar desse debate. Não somos contra os data centers. Somos contra a ausência da universidade na discussão sobre as condições em que eles estão sendo implantados", disse.</p> <h2>Impactos</h2> <p>Sob a perspectiva do direito ambiental, Dan Levy argumentou que os impactos provocados pelos data centers vão além do consumo de água e energia. Segundo ele,<strong> também devem ser considerados efeitos como poluição sonora, pressão sobre recursos naturais, conflitos territoriais, desigualdades sociais e riscos para comunidades vulneráveis</strong>.</p> <p>"A transição digital e a transição ecológica não podem ser tratadas como processos independentes. É preciso incorporar critérios de sustentabilidade, transparência e participação social", defendeu o pesquisador.</p> <p>Segundo Levy, as comunidades diretamente afetadas precisam participar das decisões relacionadas à implantação desses empreendimentos e não apenas arcar com seus impactos.</p> <p>O pesquisador também associou a expansão dos data centers ao conceito de <strong>colonialismo digital</strong>, segundo o qual países do Sul Global passam a fornecer recursos naturais, como energia, água e território, para sustentar a infraestrutura tecnológica das grandes empresas do Norte Global.</p> <p>"A gente não é contra o desenvolvimento. A questão é como esse desenvolvimento é realizado e quem suporta seus custos", concluiu.</p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.

A expansão dos data centers no Brasil exige planejamento, transparência e regras que garantam benefícios ao país e reduzam impactos socioambientais. A avaliação foi feita por pesquisadores em um debate realizado nesta segunda-feira (27), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Os professores Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), e Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defenderam que a instalação de grandes centros de processamento de dados precisa ser acompanhada de políticas públicas e maior participação da comunidade científica. Notícias relacionadas:Brasileira referência em pesquisa sobre HPV é homenageada pela SBPC.Cientistas da Fiocruz podem produzir vacina completa contra a malária.Pesquisa aponta lacuna entre conhecimento e uso de PrEP contra o HIV.Para Mauro Oliveira, o Brasil corre o risco de repetir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais sem garantir contrapartidas para o desenvolvimento nacional. "O problema não é receber data centers. O problema é receber esses investimentos sem negociação. O Brasil precisa definir o que quer exigir em troca", disse Mauro. Segundo o pesquisador, a discussão sobre data centers ainda está restrita a poucos setores e deveria mobilizar universidades, governo e sociedade. Ele argumentou que esses empreendimentos trazem desafios relacionados ao consumo de energia, à soberania digital e ao controle da infraestrutura tecnológica. Oliveira citou o projeto de instalação de um grande data center voltado à inteligência artificial no Ceará. Segundo ele, a unidade deverá consumir cerca de 300 megawatts de potência, demanda equivalente à capacidade de abastecimento de milhões de pessoas. "O mundo, hoje, não consegue produzir energia suficiente para atender à demanda projetada pelos data centers de inteligência artificial", disse. Além da energia, Oliveira defendeu que o país estabeleça mecanismos permanentes de monitoramento, auditoria e transparência sobre os projetos. "O papel das universidades é participar desse debate. Não somos contra os data centers. Somos contra a ausência da universidade na discussão sobre as condições em que eles estão sendo implantados", disse. Impactos Sob a perspectiva do direito ambiental, Dan Levy argumentou que os impactos provocados pelos data centers vão além do consumo de água e energia. Segundo ele, também devem ser considerados efeitos como poluição sonora, pressão sobre recursos naturais, conflitos territoriais, desigualdades sociais e riscos para comunidades vulneráveis. "A transição digital e a transição ecológica não podem ser tratadas como processos independentes. É preciso incorporar critérios de sustentabilidade, transparência e participação social", defendeu o pesquisador. Segundo Levy, as comunidades diretamente afetadas precisam participar das decisões relacionadas à implantação desses empreendimentos e não apenas arcar com seus impactos. O pesquisador também associou a expansão dos data centers ao conceito de colonialismo digital, segundo o qual países do Sul Global passam a fornecer recursos naturais, como energia, água e território, para sustentar a infraestrutura tecnológica das grandes empresas do Norte Global. "A gente não é contra o desenvolvimento. A questão é como esse desenvolvimento é realizado e quem suporta seus custos", concluiu.

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