Jovens eleitores quilombolas defendem voto em defesa de ideais
Why This Matters
Key context: <p>No próximo dia 4 de outubro, o agricultor Joaquim Moreira, de 87 anos, pessoa mais velha da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), fará o caminho até a escola em que vai votar em uma companhia especial. <img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1700366&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1700366&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>Ele estará com a neta, a estudante Thauany Silva, de 16 anos, que terá a primeira experiência na urna. Ambos estão muito ansiosos pela data e com os títulos bem guardados em suas carteiras. “Sempre votei e vou votar de novo”, diz o agricultor.<br /> </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=472419:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/UC5Y0d2QVOnNPhDFGkGNM-LmjPQ=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/thauany_votara_pela_primeira_vez.jpeg?itok=9jUth4Q-" alt="Thauany tem 16 anos e votará pela primeira vez. Foto: acervo da família" title="Foto: acervo da família"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/UC5Y0d2QVOnNPhDFGkGNM-LmjPQ=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/thauany_votara_pela_primeira_vez.jpeg?itok=9jUth4Q-" alt="Thauany tem 16 anos e votará pela primeira vez. Foto: acervo da família" title="Foto: acervo da família"></noscript> <!-- END scald=472419 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=472419-->Thauany tem 16 anos e votará pela primeira vez. <strong>Foto: acervo da família</strong><!--END copyright=472419--></div> </div></div> <p>Thauany ficou tão empolgada com o primeiro voto que, assim que completou 16 anos em abril, foi com a mãe, Mayara, até o centro da cidade para fazer valer os direitos de cidadã. </p> <h2>Dobro de eleitores</h2> <p><strong>Nas eleições de 2026, o número de eleitores que se identificaram como quilombolas praticamente dobrou em relação ao pleito de 2024, segundo os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Eram 95.409 pessoas nas eleições municipais e subiu para para 188.371 em 2026. Em Goiás, onde a família deles vota, o número de quilombolas eleitores subiu de 3.625 para 5.394</strong></p> <p>Mayara Silva, de 36, mãe de Thauany, afirma que ensina aos filhos que é necessário acompanhar as decisões políticas porque interferem diariamente no dia a dia da sua comunidade. “Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”, diz. </p> <p>A adolescente ficou muito feliz quando recebeu o título provisório de eleitora em mãos. “Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”, argumenta. </p> <h2>"Até o ar que a gente respira"</h2> <p>O sentimento de querer participar do dia importante da democracia também encanta a universitária de direito Franciele Silva, de 27 anos. Ela, que é nascida e criada na comunidade de Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), explica que tem o título de eleitor desde os 18 anos.</p> <p>“Eu tinha muita curiosidade sobre como era votar. Até o ar que a gente respira tem a ver com política. Minha mãe sempre me ensinou a lutar pelos meus direitos e da minha comunidade”, enfatiza. Franciele, desde que começou a estudar direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA), passou a trazer ainda mais informações para a comunidade sobre caminhos para a defesa do seu território. “Votar é fundamental”. <br /> </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=472417:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/h96fqcsvf4IL2kiRFEqI9GI6cYk=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/franciely_vive_na_comunidade_de_rio_dos_macacos._foto_acervo_pessoal.jpeg?itok=zpt77LBy" alt="Franciele Silva vive na comunidade de Rio dos Macacos. Foto: acervo de família" title="Foto: Acervo de família"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/h96fqcsvf4IL2kiRFEqI9GI6cYk=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/franciely_vive_na_comunidade_de_rio_dos_macacos._foto_acervo_pessoal.jpeg?itok=zpt77LBy" alt="Franciele Silva vive na comunidade de Rio dos Macacos. Foto: acervo de família" title="Foto: Acervo de família"></noscript> <!-- END scald=472417 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=472417-->Franciele Silva vive na comunidade de Rio dos Macacos. <strong>Foto: Acervo de família</strong><!--END copyright=472417--></div> </div></div> <p><strong>Inclusive, no Nordeste, há maior quantidade de quilombolas eleitores do país. Em 2024, eram 51.633 pessoas e, em 2026, serão 95.901. Segundo o TSE, a região tem mais da metade do eleitorado quilombola do país.</strong></p> <h2>Mais visibilidade</h2> <p><strong>O crescimento do eleitorado nas comunidades tradicionais tem relação com a ampliação da visibilidade e da conscientização política nos territórios, segundo avalia a professora Bia Nunes.</strong> Ela é pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).</p> <p>“Nós temos levado as nossas pautas a diferentes espaços e encontramos parcerias.” Ela diz que, o engajamento de eleitores quilombolas ocorre a partir de conscientização e letramento sobre o papel que os quilombolas realizam pela natureza como guardiões da floresta. “Entender, por exemplo, a importância que os territórios têm para a biodiversidade. É o trabalho que os quilombolas sempre fizeram e fazem”, acrescenta. <br /> </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=472416:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/0q2dfZ_7zHzT_0XadcNdCF4dSDE=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/bia_nunes_-_divulgacao.jpeg?itok=PRLrg12u" alt="Bia Nunes, da Conaq, diz que é fundamental engajar os jovens. Foto: Arquivo pessoal" title="foto: arquivo pessoal"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/0q2dfZ_7zHzT_0XadcNdCF4dSDE=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/bia_nunes_-_divulgacao.jpeg?itok=PRLrg12u" alt="Bia Nunes, da Conaq, diz que é fundamental engajar os jovens. Foto: Arquivo pessoal" title="foto: arquivo pessoal"></noscript> <!-- END scald=472416 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=472416-->Bia Nunes, da Conaq, diz que é fundamental engajar os jovens. <strong>Foto: arquivo pessoal</strong><!--END copyright=472416--></div> </div></div> <p>Bia Nunes diz que a reivindicação de políticas públicas leva em conta o papel que as comunidades têm para a coletividade. “As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”. </p> <p>A representante da entidade ressalta ainda que a população quilombola tem entendido que deve exigir dos governantes comprometimento com a proteção das pessoas e avanço das titulações de territórios quilombolas pelo país. Para isso, o engajamento dos mais jovens torna-se um caminho essencial. </p> <p>Bia Nunes defende mais campanhas por parte do Estado brasileiro para o estímulo de eleitores e candidatos quilombolas. Inclusive, ainda há um contexto de vulnerabilidade, formado por pressões e ameaças de violências. “Eu mesmo sou uma pessoa que estou no programa de proteção porque, no ano de 2020, eu sofri uma ameaça contra a minha vida (quando era candidata)”.</p> <h2>Consciência política</h2> <p>A conscientização política da comunidade quilombola tem diferentes caminhos, como explica o educador de alfabetização financeira Rafael Costa, de 32 anos, da comunidade Mesquita, da Cidade Ocidental (GO). Ele avalia que há um crescimento de interesse por temas temas relacionados à participação e à representatividade política. </p> <p>“Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”, contextualiza. <br /> </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=472415:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/sBs6v49mMrWtvi7M2a5YcFVyvOs=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/rafael_e_educador_financeiro._divulgacao.jpeg?itok=0PRpm0lr" alt=" Rafael é educador financeiro. Foto: Acervo pessoal" title="Foto: Acervo pessoal"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/sBs6v49mMrWtvi7M2a5YcFVyvOs=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/21/rafael_e_educador_financeiro._divulgacao.jpeg?itok=0PRpm0lr" alt=" Rafael é educador financeiro. Foto: Acervo pessoal" title="Foto: Acervo pessoal"></noscript> <!-- END scald=472415 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <div class="meta"><!--copyright=472415-->Rafael é educador financeiro. <strong>Foto: Acervo pessoal</strong><!--END copyright=472415--></div> </div></div> <p>Rafael Costa avalia que as comunidades, que cresceram com espírito de cooperação e altruísmo, precisam estar atentas para evitar golpes financeiros e desinformação. "A partir do momento que se conscientizam sobre seu modo de vida e de produção, começam também a desenvolver maior consciência política", argumenta.</p> <p> Há, segundo o educador financeiro, engajamento e politização dos jovens adultos sobre participação política para se defender da desinformação que ameaça territórios. “A comunidade está cada vez mais se fortalecendo politicamente”.</p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.
No próximo dia 4 de outubro, o agricultor Joaquim Moreira, de 87 anos, pessoa mais velha da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), fará o caminho até a escola em que vai votar em uma companhia especial. Ele estará com a neta, a estudante Thauany Silva, de 16 anos, que terá a primeira experiência na urna. Ambos estão muito ansiosos pela data e com os títulos bem guardados em suas carteiras. “Sempre votei e vou votar de novo”, diz o agricultor. Thauany tem 16 anos e votará pela primeira vez. Foto: acervo da família Thauany ficou tão empolgada com o primeiro voto que, assim que completou 16 anos em abril, foi com a mãe, Mayara, até o centro da cidade para fazer valer os direitos de cidadã. Dobro de eleitores Nas eleições de 2026, o número de eleitores que se identificaram como quilombolas praticamente dobrou em relação ao pleito de 2024, segundo os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Eram 95.409 pessoas nas eleições municipais e subiu para para 188.371 em 2026. Em Goiás, onde a família deles vota, o número de quilombolas eleitores subiu de 3.625 para 5.394 Mayara Silva, de 36, mãe de Thauany, afirma que ensina aos filhos que é necessário acompanhar as decisões políticas porque interferem diariamente no dia a dia da sua comunidade. “Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”, diz. A adolescente ficou muito feliz quando recebeu o título provisório de eleitora em mãos. “Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”, argumenta. "Até o ar que a gente respira" O sentimento de querer participar do dia importante da democracia também encanta a universitária de direito Franciele Silva, de 27 anos. Ela, que é nascida e criada na comunidade de Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), explica que tem o título de eleitor desde os 18 anos. “Eu tinha muita curiosidade sobre como era votar. Até o ar que a gente respira tem a ver com política. Minha mãe sempre me ensinou a lutar pelos meus direitos e da minha comunidade”, enfatiza. Franciele, desde que começou a estudar direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA), passou a trazer ainda mais informações para a comunidade sobre caminhos para a defesa do seu território. “Votar é fundamental”. Franciele Silva vive na comunidade de Rio dos Macacos. Foto: Acervo de família Inclusive, no Nordeste, há maior quantidade de quilombolas eleitores do país. Em 2024, eram 51.633 pessoas e, em 2026, serão 95.901. Segundo o TSE, a região tem mais da metade do eleitorado quilombola do país. Mais visibilidade O crescimento do eleitorado nas comunidades tradicionais tem relação com a ampliação da visibilidade e da conscientização política nos territórios, segundo avalia a professora Bia Nunes. Ela é pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). “Nós temos levado as nossas pautas a diferentes espaços e encontramos parcerias.” Ela diz que, o engajamento de eleitores quilombolas ocorre a partir de conscientização e letramento sobre o papel que os quilombolas realizam pela natureza como guardiões da floresta. “Entender, por exemplo, a importância que os territórios têm para a biodiversidade. É o trabalho que os quilombolas sempre fizeram e fazem”, acrescenta. Bia Nunes, da Conaq, diz que é fundamental engajar os jovens. Foto: arquivo pessoal Bia Nunes diz que a reivindicação de políticas públicas leva em conta o papel que as comunidades têm para a coletividade. “As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”. A representante da entidade ressalta ainda que a população quilombola tem entendido que deve exigir dos governantes comprometimento com a proteção das pessoas e avanço das titulações de territórios quilombolas pelo país. Para isso, o engajamento dos mais jovens torna-se um caminho essencial. Bia Nunes defende mais campanhas por parte do Estado brasileiro para o estímulo de eleitores e candidatos quilombolas. Inclusive, ainda há um contexto de vulnerabilidade, formado por pressões e ameaças de violências. “Eu mesmo sou uma pessoa que estou no programa de proteção porque, no ano de 2020, eu sofri uma ameaça contra a minha vida (quando era candidata)”. Consciência política A conscientização política da comunidade quilombola tem diferentes caminhos, como explica o educador de alfabetização financeira Rafael Costa, de 32 anos, da comunidade Mesquita, da Cidade Ocidental (GO). Ele avalia que há um crescimento de interesse por temas temas relacionados à participação e à representatividade política. “Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”, contextualiza. Rafael é educador financeiro. Foto: Acervo pessoal Rafael Costa avalia que as comunidades, que cresceram com espírito de cooperação e altruísmo, precisam estar atentas para evitar golpes financeiros e desinformação. "A partir do momento que se conscientizam sobre seu modo de vida e de produção, começam também a desenvolver maior consciência política", argumenta. Há, segundo o educador financeiro, engajamento e politização dos jovens adultos sobre participação política para se defender da desinformação que ameaça territórios. “A comunidade está cada vez mais se fortalecendo politicamente”.
Curation & Context
This page summarizes a public news report from agenciabrasil.ebc.com.br. Global News Hub provides the "Why This Matters" takeaway using editorial insights and AI curation to give readers rapid, high-value context before they click through to read the full article.