A pirâmide virou pião
Why This Matters
Key context: O Brasil, quem diria, ficou de cabeça para baixo. "A pirâmide virou um pião", afirmou na semana passada, em conferência na Academia Brasileira de Letras, a pneumologista <a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/09/margareth-dalcolmo-defende-criacao-de-estrutura-para-monitorar-crises-sanitarias.shtml" rel="" target="">Margareth Dalcolmo</a>. Referia-se à diferença entre 1970, quando éramos uma sociedade com alta taxa de nascimento, com expectativa de vida de 54 anos, e hoje, "em que <a href="https://www1.folha.uol.com.br/autores/alexandre-kalache.shtml" rel="" target="">deixamos de ser uma sociedade jovem para uma envelhecida</a>, com expectativa de vida de 78 anos".<br> <br> "Esse aumento", disse dra. Margareth, "se deveu a intervenções sanitárias, como vacinação em massa, sobretudo na primeira infância, saneamento básico, ainda que desigual, expansão do SUS (Sistema Único de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/saude/">Saúde</a>) e avanços na medicina, mesmo em regiões remotas. Nas próximas duas décadas, seremos mais idosos acima de 60 anos do que jovens menores de 15".<br> <br> A dúvida é se estaremos equipados para essa nova situação. Segundo o gerontólogo <a href="https://www1.folha.uol.com.br/autores/alexandre-kalache.shtml" rel="" target="">Alexandre Kalache</a>, citado por ela, países desenvolvidos como o Japão e os europeus primeiro enriqueceram para depois envelhecer, e o Brasil envelhece marcado pela pobreza. "Ser velho e pobre no Brasil é o mais triste destino", disse dra. Margareth. "Numa sociedade tão excludente como a nossa, o velho e pobre se torna um fardo para a família, ainda que, com frequência, se veja o triste paradoxo de uma modesta pensão ou aposentadoria desse <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/idoso/">idoso</a> ser a fonte de renda primordial para aquele núcleo familiar."<br> <br> Dra. Margareth continuou: "Num país 90% urbanizado como o Brasil, o cenário urbano é hostil para as pessoas mais velhas. Precisamos de reformas públicas, de exercer grande pressão sobre os transportes, as cidades e as moradias, para adaptá-los a elas. Envelhecer em boas condições permite o acesso a cuidados de toda ordem, e até prazeres, que seguramente adoçam a perda de autonomia". <a href="https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/a-piramide-virou-piao.shtml">Leia mais</a> (08/13/2026 - 08h00) This development from redir.folha.com.br highlights ongoing changes in the sector.
O Brasil, quem diria, ficou de cabeça para baixo. "A pirâmide virou um pião", afirmou na semana passada, em conferência na Academia Brasileira de Letras, a pneumologista Margareth Dalcolmo. Referia-se à diferença entre 1970, quando éramos uma sociedade com alta taxa de nascimento, com expectativa de vida de 54 anos, e hoje, "em que deixamos de ser uma sociedade jovem para uma envelhecida, com expectativa de vida de 78 anos". "Esse aumento", disse dra. Margareth, "se deveu a intervenções sanitárias, como vacinação em massa, sobretudo na primeira infância, saneamento básico, ainda que desigual, expansão do SUS (Sistema Único de Saúde) e avanços na medicina, mesmo em regiões remotas. Nas próximas duas décadas, seremos mais idosos acima de 60 anos do que jovens menores de 15". A dúvida é se estaremos equipados para essa nova situação. Segundo o gerontólogo Alexandre Kalache, citado por ela, países desenvolvidos como o Japão e os europeus primeiro enriqueceram para depois envelhecer, e o Brasil envelhece marcado pela pobreza. "Ser velho e pobre no Brasil é o mais triste destino", disse dra. Margareth. "Numa sociedade tão excludente como a nossa, o velho e pobre se torna um fardo para a família, ainda que, com frequência, se veja o triste paradoxo de uma modesta pensão ou aposentadoria desse idoso ser a fonte de renda primordial para aquele núcleo familiar." Dra. Margareth continuou: "Num país 90% urbanizado como o Brasil, o cenário urbano é hostil para as pessoas mais velhas. Precisamos de reformas públicas, de exercer grande pressão sobre os transportes, as cidades e as moradias, para adaptá-los a elas. Envelhecer em boas condições permite o acesso a cuidados de toda ordem, e até prazeres, que seguramente adoçam a perda de autonomia". Leia mais (08/13/2026 - 08h00)
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