Exposição reelabora terror com obras de artistas LGBT+ em Fortaleza
Why This Matters
Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/exposicao-reelabora-terror-com-obras-de-artistas-lgbt-em-fortaleza"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p>Com a proposta de reelaborar o imaginário do medo e do terror como forças de criação da população LGBT+ o Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza, recebe a partir deste sábado (18) a exposição “Terror celestial”. A mostra, que vai até o dia 4 de outubro, reúne obras de 24 artistas de diferentes linguagens.<img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1696981&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1696981&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>O curador, Lucas Dilacerda disse à Agência Brasil que a proposta é abordar a relação da comunidade LGBT+ com o terror. Ele destaca que, historicamente, a sociedade tem classificado essa população como figuras anormais, muitas vezes chamadas de monstros, estranhas, assustadoras, freak, aberrações e uma série de xingamentos que violentam seus corpos.</p> <blockquote> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-07/governo-diz-que-vai-acertar-salarios-do-programa-rio-sem-lgbtifobia">Governo diz que vai acertar salários do programa Rio Sem LGBTIfobia.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/exposicao-o-tempo-das-plantas-propoe-troca-cultural-e-desaceleracao">Exposição O Tempo das Plantas propõe troca cultural e desaceleração.</a></li></ul>“Essa violência começa a causar uma série de traumas e uma série de problemas e estruturas psíquicas que vão se reverberar na vida adulta. Então, a exposição investiga como todo esse imaginário do terror é reelaborado por esses artistas, transformado e transmutado na produção artística”, disse.</p> </blockquote> <h2>Medo do diferente</h2> <p>Dilacerda analisou que a concepção da mostra dialoga com a percepção de que, frequentemente, <strong>o ser humano descarrega seus medos inconscientes no “outro”, como no caso da população LGBT+, e projeta nela a imagem de “anormal” para se auto afirmar como “normal”</strong>.</p> <p>Para ele, os filmes do gênero terror são um exemplo dessa transfiguração do medo em monstros, para o alívio de sua própria humanidade. Esse imaginário do medo e do terror é reelaborado pelos artistas que estão na exposição.</p> <p>“Na exposição, a gente vai encontrar figuras híbridas, quimerísticas, monstruosas, figuras que destroem as fronteiras do ser humano. A gente vai ter paisagens surrealistas, a gente vai ter uma série de produções artísticas que dialogam com esse imaginário do terror, mas não mais como uma força de violência, mas como uma força de criação”, frisou.</p> <p>Para chegar no formato que será apresentado, o curador desenvolveu um intenso trabalho de pesquisa sobre a produção de artistas LGBT+. Na fase inicial, o mapeamento reuniu quase 300 portfólios. Foram selecionados, então, artistas com interseccionalidades de raça, território e geração, além da multiplicidade de linguagens.</p> <blockquote> <p>“É importante que [a exposição] mostre que não existe uma única cara de pessoas LGBT, que elas são diversas na sua multiplicidade”, relatou.</p> </blockquote> <p>Além disso, a mostra conta com recursos de acessibilidade, como textos em Libras, audiodescrição e prancha de comunicação alternativa que favorecem a fruição de diferentes públicos durante a visita. Eles podem ser acessados em uma plataforma digital, por meio de QR Code ou com o auxílio da equipe educativa.</p> <h2>Três linhas</h2> <p><strong>“Terror celestial” é elaborada com três linhas: Monstros e quimeras; Espiritualidade terrena; e Terror das formas.</strong></p> <p>A primeira linha curatorial apresenta obras que discutem a monstruosidade como aquilo que transcende ao nosso entendimento sobre o que é a humanidade.</p> <p>As obras abordam o cruzamento dos reinos dos animais, das plantas, dos minerais, dos encantados e das forças sobre-humanas. Os trabalhos revelam um imaginário de seres híbridos, quimeras, místicos e fabulosos.</p> <p>Estão nessa parte da exposição Davi Ângelo, Higo José, insiranomeaqui, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho e Trojany.</p> <p>A segunda linha curatorial aborda a temática da religião, tão marcante na vida de pessoas LGBT+. Se, por um lado, a religião cristã foi um espaço de violência, por outro lado, pessoas LGBT+ buscam outras religiões para se conectar com a espiritualidade, que é discutida pela exposição como um local de cura. </p> <p>Nesse sentido, a curadoria apresenta saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas e outras formas de conexão com a natureza espiritual, em trabalhos de Carnaval no Inferno, Darwin Marinho, Charles Lessa, Isadora Ravena, Georgia Vitrilis, Honório Félix, Nicolas Gondim, Pedra Silva e Sérgio Gurgel.</p> <p> </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=469300:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/4dnPSlYs-qVp0WV1TKxGfVljybo=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/17/nicolas_gondim_da_serie_papangus_da_sucatinga_2016.jpg?itok=s91vngy8" alt="Trabalho da série Papangus da Sucatinga, de Nicolas Gondim. Foto: Nicolas Gondim/Exposição Terror Celestial" title="Nicolas Gondim/Exposição Terror Celestial"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/4dnPSlYs-qVp0WV1TKxGfVljybo=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/07/17/nicolas_gondim_da_serie_papangus_da_sucatinga_2016.jpg?itok=s91vngy8" alt="Trabalho da série Papangus da Sucatinga, de Nicolas Gondim. Foto: Nicolas Gondim/Exposição Terror Celestial" title="Nicolas Gondim/Exposição Terror Celestial"></noscript> <!-- END scald=469300 --></div><div class="dnd-caption-wrapper"> <h6 class="meta"><!--copyright=469300-->Trabalho da série Papangus da Sucatinga, de Nicolas Gondim. Foto: <strong>Nicolas Gondim/Exposição Terror Celestial</strong><!--END copyright=469300--></h6> </div></div> <p>Por fim, a terceira e última linha curatorial parte do conceito de “terrorismo de gênero”. Terrorismo aqui é sinônimo de desobediência e, portanto, de criação de outras formas de existir.</p> <p>As obras de Antonio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Céu Vasconcelos, Gi Monteiro, Jonas Pinheiro e plantomorpho assustam a gramática normativa das artes e criam outras visualidades e expressões.</p> <p>“Na exposição, a gente vai encontrar pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo, performance, objeto, instalação, da mesma forma que a gente vai encontrar também uma multiplicidade de materiais, como barro, cerâmica, giz, grafite, sal, terra, óleo e óxido de ferro”, finalizou Dilarcerda.</p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.
Com a proposta de reelaborar o imaginário do medo e do terror como forças de criação da população LGBT+ o Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão), em Fortaleza, recebe a partir deste sábado (18) a exposição “Terror celestial”. A mostra, que vai até o dia 4 de outubro, reúne obras de 24 artistas de diferentes linguagens. O curador, Lucas Dilacerda disse à Agência Brasil que a proposta é abordar a relação da comunidade LGBT+ com o terror. Ele destaca que, historicamente, a sociedade tem classificado essa população como figuras anormais, muitas vezes chamadas de monstros, estranhas, assustadoras, freak, aberrações e uma série de xingamentos que violentam seus corpos. Notícias relacionadas:Governo diz que vai acertar salários do programa Rio Sem LGBTIfobia.Exposição O Tempo das Plantas propõe troca cultural e desaceleração.“Essa violência começa a causar uma série de traumas e uma série de problemas e estruturas psíquicas que vão se reverberar na vida adulta. Então, a exposição investiga como todo esse imaginário do terror é reelaborado por esses artistas, transformado e transmutado na produção artística”, disse. Medo do diferente Dilacerda analisou que a concepção da mostra dialoga com a percepção de que, frequentemente, o ser humano descarrega seus medos inconscientes no “outro”, como no caso da população LGBT+, e projeta nela a imagem de “anormal” para se auto afirmar como “normal”. Para ele, os filmes do gênero terror são um exemplo dessa transfiguração do medo em monstros, para o alívio de sua própria humanidade. Esse imaginário do medo e do terror é reelaborado pelos artistas que estão na exposição. “Na exposição, a gente vai encontrar figuras híbridas, quimerísticas, monstruosas, figuras que destroem as fronteiras do ser humano. A gente vai ter paisagens surrealistas, a gente vai ter uma série de produções artísticas que dialogam com esse imaginário do terror, mas não mais como uma força de violência, mas como uma força de criação”, frisou. Para chegar no formato que será apresentado, o curador desenvolveu um intenso trabalho de pesquisa sobre a produção de artistas LGBT+. Na fase inicial, o mapeamento reuniu quase 300 portfólios. Foram selecionados, então, artistas com interseccionalidades de raça, território e geração, além da multiplicidade de linguagens. “É importante que [a exposição] mostre que não existe uma única cara de pessoas LGBT, que elas são diversas na sua multiplicidade”, relatou. Além disso, a mostra conta com recursos de acessibilidade, como textos em Libras, audiodescrição e prancha de comunicação alternativa que favorecem a fruição de diferentes públicos durante a visita. Eles podem ser acessados em uma plataforma digital, por meio de QR Code ou com o auxílio da equipe educativa. Três linhas “Terror celestial” é elaborada com três linhas: Monstros e quimeras; Espiritualidade terrena; e Terror das formas. A primeira linha curatorial apresenta obras que discutem a monstruosidade como aquilo que transcende ao nosso entendimento sobre o que é a humanidade. As obras abordam o cruzamento dos reinos dos animais, das plantas, dos minerais, dos encantados e das forças sobre-humanas. Os trabalhos revelam um imaginário de seres híbridos, quimeras, místicos e fabulosos. Estão nessa parte da exposição Davi Ângelo, Higo José, insiranomeaqui, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho e Trojany. A segunda linha curatorial aborda a temática da religião, tão marcante na vida de pessoas LGBT+. Se, por um lado, a religião cristã foi um espaço de violência, por outro lado, pessoas LGBT+ buscam outras religiões para se conectar com a espiritualidade, que é discutida pela exposição como um local de cura. Nesse sentido, a curadoria apresenta saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas e outras formas de conexão com a natureza espiritual, em trabalhos de Carnaval no Inferno, Darwin Marinho, Charles Lessa, Isadora Ravena, Georgia Vitrilis, Honório Félix, Nicolas Gondim, Pedra Silva e Sérgio Gurgel. Trabalho da série Papangus da Sucatinga, de Nicolas Gondim. Foto: Nicolas Gondim/Exposição Terror Celestial Por fim, a terceira e última linha curatorial parte do conceito de “terrorismo de gênero”. Terrorismo aqui é sinônimo de desobediência e, portanto, de criação de outras formas de existir. As obras de Antonio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Céu Vasconcelos, Gi Monteiro, Jonas Pinheiro e plantomorpho assustam a gramática normativa das artes e criam outras visualidades e expressões. “Na exposição, a gente vai encontrar pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo, performance, objeto, instalação, da mesma forma que a gente vai encontrar também uma multiplicidade de materiais, como barro, cerâmica, giz, grafite, sal, terra, óleo e óxido de ferro”, finalizou Dilarcerda.
Curation & Context
This page summarizes a public news report from agenciabrasil.ebc.com.br. Global News Hub provides the "Why This Matters" takeaway using editorial insights and AI curation to give readers rapid, high-value context before they click through to read the full article.