ONG culpa Marrocos por “desespero” de imigrantes rumo à Europa
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Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/ong-culpa-marrocos-por-desespero-de-imigrantes-rumo-a-Europa"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p><strong>A <a href="https://amdh.org.ma/7088/" target="_blank">Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH)</a> responsabilizou o Estado do Marrocos pelo movimento migratório de mais de 50 mil pessoas <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/tags/ceuta" target="_blank">rumo a Ceuta</a> ou Melilla, enclaves espanhóis no continente africano. Quase 100 pessoas morreram no percurso, segundo dados do governo ceuta.</strong><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1698554&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1698554&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>“A falta de perspectivas para os cidadãos e o agravamento dos sentimentos de frustração e desespero, especialmente entre os jovens, deixaram de ser apenas sentimentos individuais e se tornaram a identidade de toda uma geração, para a qual o deslocamento e o desejo de emigrar se transformaram em linguagem de expressão da raiva popular contra o fracasso das políticas estatais”, diz a organização local.</p> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/especialistas-divergem-sobre-anuencia-de-marrocos-em-migracao-ceuta">Especialistas divergem sobre anuência de Marrocos em migração a Ceuta.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/espanha-cita-grupos-reacionarios-e-fake-news-em-imigracao-em-ceuta">Espanha cita grupos “reacionários” e fake news em imigração em Ceuta.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/espanha-poe-barreira-flutuante-em-ceuta-apos-fluxo-morte-de-imigrantes">Espanha põe barreira flutuante em Ceuta após fluxo de imigrantes.</a></li></ul>O documento foi aprovado pelo Bureau Central da AMDH, considerada uma das organizações mais importantes e influentes do Marrocos no tema dos direitos humanos.<br /> <br /> <strong>A associação critica a desigualdade social e a distribuição injusta da riqueza por meio da apropriação dos recursos do país por um pequeno grupo, por meio de "uma economia rentista, da corrupção, do autoritarismo e da tirania”.</strong></p> <p><strong>Segundo a ONG, o fenômeno é a “expressão gritante de uma profunda crise estrutural e o culminar de décadas de marginalização social e econômica”.</strong></p> <p>A associação condenou ainda a exploração da crise migratória como “pressão política ou de negociação com Espanha ou a Europa”, ao alegar que as pessoas não devem ser arrastadas para “jogos políticos e diplomáticos à custa de seus direitos fundamentais”.</p> <p>Especialistas ouvidos pela <strong>Agência Brasil</strong> <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/especialistas-divergem-sobre-anuencia-de-marrocos-em-migracao-ceuta " target="_blank">divergem em relação à anuência</a> do governo do Marrocos na crise imigratória em Ceuta, que poderia ser usada para barganhar vantagens políticas junto aos países europeus.</p> <p><strong>A organização de direitos humanos ainda critica o “silêncio suspeito” das instituições estatais marroquinas.</strong></p> <blockquote> <p>“Isso fortaleceu a criação de um estado de mobilização abrangente na maioria das cidades e regiões.”</p> </blockquote> <p>A escalada retórica na Europa e nos Estados Unidos (EUA) também foi criticada pela organização de direitos humanos marroquina. “[A iniciativa] vem da extrema-direita, que incita o ódio contra os imigrantes e os retrata como uma ameaça existencial às sociedades e aos países ocidentais.”</p> <p>Marrocos é uma monarquia constitucional e parlamentar, marcada pela tradição islâmica e que combina instituições democráticas modernas com um controle forte da dinastia alauíta liderada pelo rei Mohammed VI, que completou 27 anos no trono no último dia 29 de julho. Ele é o comandante das forças armadas e figura central na política marroquina. </p> <h2>Juventude</h2> <p>O professor marroquino de relações internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC), ressaltou à <strong>Agência Brasil</strong> que o êxodo em massa de jovens para Ceuta e Melilla expôs o “fracasso” do projeto de desenvolvimento nacional nos últimos anos. </p> <p>“É verdade que o país se modernizou nos últimos anos, se desenvolveu bastante no que diz respeito a infraestruturas e grandes projetos liderados pelo próprio rei do Marrocos, como autoestradas de milhares de quilômetros, energias renováveis, indústria automóvel e aeronáutica, o que transformou Marrocos num hub internacional no Norte de África.”</p> <p><strong>Apesar disso, o professor Nadir, que visitava Marrocos durante a crise, aponta que as mudanças não atingiram a população marroquina de maioria jovem.</strong></p> <blockquote> <p>“O que tenho visto aqui na rua é o mal-estar em relação ao aumento custo de vida, falta de oportunidades e o difícil acesso à saúde pública. Tudo isso faz com que a população marroquina sonhe em emigrar para Europa em busca de melhoria de vida.”</p> </blockquote> <h2>Desenvolvimento</h2> <p>Ao comemorar o 27º aniversário como rei do Marrocos, em meio à crise de imigração em Ceuta, Mohammed VI <a href="https://diplomatie.ma/sm-le-roi-adresse-un-discours-%C3%A0-la-nation-%C3%A0-loccasion-de-la-f%C3%AAte-du-tr%C3%B4ne-texte-int%C3%A9gral-0" target="_blank">publicou um texto</a> direcionado à nação para exaltar as conquistas estatais nos últimos anos.</p> <blockquote> <p>“Nosso país está agora em um momento crucial do seu processo de desenvolvimento, onde um ideal de confiança e otimismo deve prevalecer sobre qualquer retórica que possa alimentar o desespero e a frustração.”</p> </blockquote> <p>Segundo ele, a segurança e a estabilidade que reinam no Marrocos, bem como o funcionamento eficaz das instituições públicas são motivo de orgulho. Ele citou ainda o crescimento de cerca de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025.</p> <p>“Marrocos se tornou o principal exportador automotivo da África, com capacidade de produção anual de aproximadamente 1 milhão de veículos. Consequentemente, a participação dos setores automotivo e aeroespacial nas exportações totais do Marrocos aumentou para mais de 40%, superando a indústria de fosfato”, argumentou.</p> <p>Em 2023, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Marrocos foi de 0,71 , o que coloca o país na categoria de alto desenvolvimento humano, posicionando-o em 120º lugar entre 193 países e territórios, segundo dados das Nações Unidas (ONU).</p> <p><strong>No continente africano, Marrocos figura com o 10º maior IDH, atrás de países como África do Sul, Egito, Argélia e Tunísia. Em 2022, o desemprego entre a população de 15 a 24 anos somava 24,9%.</strong><br /> </p> <div class="dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image"><div class="dnd-atom-rendered"><!-- scald=470722:cheio_8colunas --> <img src="/sites/default/files/thumbnails/image/loading_v2.gif" data-echo="https://imagens.ebc.com.br/VVT2pF_VQhIJ0KC2M_9ClmlJz4w=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/03/whatsapp_image_2026-08-03_at_18.31.02.jpeg?itok=iWn84oro" alt="Brasília - DF - 03/08/2026 - Crise imigratória em Ceuta repercute na Europa e no mundo. Fonte: Google Maps" title="Google Maps"> <noscript><img src="https://imagens.ebc.com.br/VVT2pF_VQhIJ0KC2M_9ClmlJz4w=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/08/03/whatsapp_image_2026-08-03_at_18.31.02.jpeg?itok=iWn84oro" alt="Brasília - DF - 03/08/2026 - Crise imigratória em Ceuta repercute na Europa e no mundo. 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A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) responsabilizou o Estado do Marrocos pelo movimento migratório de mais de 50 mil pessoas rumo a Ceuta ou Melilla, enclaves espanhóis no continente africano. Quase 100 pessoas morreram no percurso, segundo dados do governo ceuta. “A falta de perspectivas para os cidadãos e o agravamento dos sentimentos de frustração e desespero, especialmente entre os jovens, deixaram de ser apenas sentimentos individuais e se tornaram a identidade de toda uma geração, para a qual o deslocamento e o desejo de emigrar se transformaram em linguagem de expressão da raiva popular contra o fracasso das políticas estatais”, diz a organização local. Notícias relacionadas:Especialistas divergem sobre anuência de Marrocos em migração a Ceuta.Espanha cita grupos “reacionários” e fake news em imigração em Ceuta.Espanha põe barreira flutuante em Ceuta após fluxo de imigrantes.O documento foi aprovado pelo Bureau Central da AMDH, considerada uma das organizações mais importantes e influentes do Marrocos no tema dos direitos humanos. A associação critica a desigualdade social e a distribuição injusta da riqueza por meio da apropriação dos recursos do país por um pequeno grupo, por meio de "uma economia rentista, da corrupção, do autoritarismo e da tirania”. Segundo a ONG, o fenômeno é a “expressão gritante de uma profunda crise estrutural e o culminar de décadas de marginalização social e econômica”. A associação condenou ainda a exploração da crise migratória como “pressão política ou de negociação com Espanha ou a Europa”, ao alegar que as pessoas não devem ser arrastadas para “jogos políticos e diplomáticos à custa de seus direitos fundamentais”. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil divergem em relação à anuência do governo do Marrocos na crise imigratória em Ceuta, que poderia ser usada para barganhar vantagens políticas junto aos países europeus. A organização de direitos humanos ainda critica o “silêncio suspeito” das instituições estatais marroquinas. “Isso fortaleceu a criação de um estado de mobilização abrangente na maioria das cidades e regiões.” A escalada retórica na Europa e nos Estados Unidos (EUA) também foi criticada pela organização de direitos humanos marroquina. “[A iniciativa] vem da extrema-direita, que incita o ódio contra os imigrantes e os retrata como uma ameaça existencial às sociedades e aos países ocidentais.” Marrocos é uma monarquia constitucional e parlamentar, marcada pela tradição islâmica e que combina instituições democráticas modernas com um controle forte da dinastia alauíta liderada pelo rei Mohammed VI, que completou 27 anos no trono no último dia 29 de julho. Ele é o comandante das forças armadas e figura central na política marroquina. Juventude O professor marroquino de relações internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC), ressaltou à Agência Brasil que o êxodo em massa de jovens para Ceuta e Melilla expôs o “fracasso” do projeto de desenvolvimento nacional nos últimos anos. “É verdade que o país se modernizou nos últimos anos, se desenvolveu bastante no que diz respeito a infraestruturas e grandes projetos liderados pelo próprio rei do Marrocos, como autoestradas de milhares de quilômetros, energias renováveis, indústria automóvel e aeronáutica, o que transformou Marrocos num hub internacional no Norte de África.” Apesar disso, o professor Nadir, que visitava Marrocos durante a crise, aponta que as mudanças não atingiram a população marroquina de maioria jovem. “O que tenho visto aqui na rua é o mal-estar em relação ao aumento custo de vida, falta de oportunidades e o difícil acesso à saúde pública. Tudo isso faz com que a população marroquina sonhe em emigrar para Europa em busca de melhoria de vida.” Desenvolvimento Ao comemorar o 27º aniversário como rei do Marrocos, em meio à crise de imigração em Ceuta, Mohammed VI publicou um texto direcionado à nação para exaltar as conquistas estatais nos últimos anos. “Nosso país está agora em um momento crucial do seu processo de desenvolvimento, onde um ideal de confiança e otimismo deve prevalecer sobre qualquer retórica que possa alimentar o desespero e a frustração.” Segundo ele, a segurança e a estabilidade que reinam no Marrocos, bem como o funcionamento eficaz das instituições públicas são motivo de orgulho. Ele citou ainda o crescimento de cerca de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. “Marrocos se tornou o principal exportador automotivo da África, com capacidade de produção anual de aproximadamente 1 milhão de veículos. Consequentemente, a participação dos setores automotivo e aeroespacial nas exportações totais do Marrocos aumentou para mais de 40%, superando a indústria de fosfato”, argumentou. Em 2023, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Marrocos foi de 0,71 , o que coloca o país na categoria de alto desenvolvimento humano, posicionando-o em 120º lugar entre 193 países e territórios, segundo dados das Nações Unidas (ONU). No continente africano, Marrocos figura com o 10º maior IDH, atrás de países como África do Sul, Egito, Argélia e Tunísia. Em 2022, o desemprego entre a população de 15 a 24 anos somava 24,9%. Fonte: Google Maps
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