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Cais do Valongo, no Rio, terá museu em prédio histórico do Império

Source: agenciabrasil.ebc.com.br Published Tue, 18 Aug 2026 16:45:00 -0300
Cais do Valongo, no Rio, terá museu em prédio histórico do Império

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Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-08/cais-do-valongo-no-rio-tera-museu-em-predio-historico-do-imperio"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p><strong>Um cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi iniciou, nesta terça-feira (18), a cerimônia de entrega de uma construção histórica do tempo do Império, para que seja transformado em um museu do Cais do Valongo, berço da presença africana no Brasil.</strong><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1700011&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1700011&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>O enorme galpão, chamado Edifício Docas André Rebouças, fica imediatamente em frente ao sítio arqueológico do Cais do Valongo, na região portuária do Rio de Janeiro. Apenas uma rua separa os dois.</p> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-11/projeto-disponibiliza-materiais-historicos-do-cais-do-valongo-no-rio">Projeto disponibiliza materiais históricos do Cais do Valongo, no Rio.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-09/cais-do-valongo-e-reconhecido-como-patrimonio-cultural-afro-brasileiro">Cais do Valongo é reconhecido como patrimônio cultural afro-brasileiro.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2024-11/cais-do-valongo-exibira-documentario-no-dia-da-consciencia-negra">Cais do Valongo exibirá documentário no Dia da Consciência Negra.</a></li></ul><strong>Descoberto em 2011, durante obras de revitalização da região, o <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-09/cais-do-valongo-e-reconhecido-como-patrimonio-cultural-afro-brasileiro" target="_blank">Cais do Valongo</a> foi construído em 1811 e reúne vestígios da chegada de cerca de 1 milhão de africanos escravizados que desembarcaram nas Américas. </strong></p> <p>Atualmente, o sítio arqueológico é um espaço de visitação a céu aberto, com apenas algumas placas informativas. O visitante precisa suportar o sol ou a chuva para conhecer a escavação.</p> <h2>Acolhimento</h2> <p>O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, considera que o novo centro será uma forma de acolhimento aos visitantes.</p> <blockquote> <p>“É importante que essa narrativa sobre o sítio arqueológico e a importância dele para o Brasil e para o mundo seja contada também dentro desse prédio”, diz.</p> </blockquote> <p>A transformação do antigo prédio das Docas em um centro de referência é uma forma de acolher os visitantes, que terão ali acesso ao acervo de cerca de um milhão de itens encontrados no Valongo e áreas vizinhas da zona portuária, uma região que, justamente, por lembrar a chegada de africanos ao Brasil, recebe o nome de<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-06/arquitetos-negros-sao-escolhidos-para-intervencoes-na-pequena-africa" target="_blank"> Pequena África</a>. </p> <p>O Cais do Valongo é patrimônio cultural da Humanidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).<a href="https://normas.leg.br/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2025-09-11;15203" target="_blank"> Uma Lei Federal</a> reconhece o sítio arqueológico como patrimônio histórico e cultural afro-brasileiro.</p> <p><strong>A obra para transformar a construção imperial em Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo está orçada em R$ 77 milhões e será executada com recursos do orçamento da União.</strong> A previsão é as obras de adaptação durarem três anos.</p> <h2>Engenheiro negro e abolicionista</h2> <p>Também funcionarão no endereço histórico o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana e o Memorial <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-09/andre-reboucas-e-homenageado-com-nome-de-predio-na-pequena-africa" target="_blank">André Rebouças</a>, engenheiro que dá nome ao prédio.</p> <p>O então Armazém Dom Pedro II só ganhou o nome de Rebouças, responsável pelo projeto de construção, em 2025. <strong>O baiano foi o primeiro engenheiro negro do país e um dos grandes nomes do movimento abolicionista. O prédio da época do Império foi construído em 1871 e não contou com mão de obra escravizada.</strong></p> <h2>Acervo e reparação</h2> <p><strong>De acordo com o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, o acervo que será abrigado pelo novo centro deve ter mais de 1 milhão de peças.</strong></p> <blockquote> <p>"Vai ser ao longo de 20 anos, 30 anos, que vai se dizer o que tem. Vamos precisar de equipe de todo o mundo pesquisando, identificando, trazendo à tona", disse o representante do órgão ligado ao Ministério da Cultura.</p> </blockquote> <p><strong>Alguns itens já foram identificados, como anéis, cachimbos, peças de vestuário e iscas de pesca, e estavam expostas em outros museus.</strong></p> <p>A ministra da Cultura, Margareth Menezes, considera que o novo centro é uma reparação após séculos e escravidão.</p> <blockquote> <p>“Todo mundo, pretos, brancos e indígenas, precisa estar unido nesse processo, porque o Brasil só será um país com democracia cidadã quando essa justiça for feita. Essa justiça faz parte de uma série de ações: justiça social, acesso à saúde, à educação, à cultura”, declarou.</p> </blockquote> <h2>Representantes da sociedade</h2> <p>O Cais do Valongo conta com um comitê gestor que reúne integrantes das três esferas de governo e representantes da sociedade civil.</p> <p><strong>Um dos integrantes é Nilson Moreira, que representa a Casa da Tia Ciata, uma organização não governamental que fica na Pequena África. Para ele, o espaço repaginado será um marco da região.</strong></p> <blockquote> <p>“É muito importante para que a pessoa que ainda não conhece a história do Cais do Valongo tenha um resumo já na frente da escavação” defende.</p> </blockquote> <p><strong>“Ela vai observar e ter muito mais conteúdo para que possa formar sua ideia. A gente está desenterrando histórias escondidas para que as pessoas conheçam a cultura negra como um todo”, descreveu o trineto de Tia Ciata (1854-1924), baiana que se tornou matriarca do samba carioca.</strong></p> <p>Na visão dele, comitê gestor contribui para que imóveis da região não percam a própria essência.</p> <blockquote> <p>“No momento em que perde a essência, a região perde o significado. A luta do comitê gestor é para manter isso”, pontua.</p> </blockquote> <h2>Pequena África</h2> <p>A Pequena África já é considerada uma das regiões mais visitadas por turistas no Rio de Janeiro e concentra dezenas de quadras na região portuária, sendo um registro geográfico da chegada ao Brasil de africanos escravizados.</p> <p><strong>Um passeio pelas ruas da Pequena África se transforma em uma aula sobre a influência negra na construção das identidades carioca e brasileira.</strong></p> <p>Na região, além do Valongo, ficam pontos marcantes do legado africano na cidade e no país, como o Quilombo da Pedra do Sal, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) e o Cemitério dos Pretos Novos, onde eram enterrados escravizados que morriam após a entrada dos navios negreiros na Baía de Guanabara ou imediatamente depois do desembarque, antes mesmo de serem vendidos.</p> <p>Ao lado do futuro Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo, a prefeitura do Rio de Janeiro está construindo o Centro Cultural Rio-Áfricas, voltado à valorização da ancestralidade afro-diaspórica por meio de exposições, mostras, formação artística e atividades educativas.</p> <p> </p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.

Um cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi iniciou, nesta terça-feira (18), a cerimônia de entrega de uma construção histórica do tempo do Império, para que seja transformado em um museu do Cais do Valongo, berço da presença africana no Brasil. O enorme galpão, chamado Edifício Docas André Rebouças, fica imediatamente em frente ao sítio arqueológico do Cais do Valongo, na região portuária do Rio de Janeiro. Apenas uma rua separa os dois. Notícias relacionadas:Projeto disponibiliza materiais históricos do Cais do Valongo, no Rio.Cais do Valongo é reconhecido como patrimônio cultural afro-brasileiro.Cais do Valongo exibirá documentário no Dia da Consciência Negra.Descoberto em 2011, durante obras de revitalização da região, o Cais do Valongo foi construído em 1811 e reúne vestígios da chegada de cerca de 1 milhão de africanos escravizados que desembarcaram nas Américas. Atualmente, o sítio arqueológico é um espaço de visitação a céu aberto, com apenas algumas placas informativas. O visitante precisa suportar o sol ou a chuva para conhecer a escavação. Acolhimento O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, considera que o novo centro será uma forma de acolhimento aos visitantes. “É importante que essa narrativa sobre o sítio arqueológico e a importância dele para o Brasil e para o mundo seja contada também dentro desse prédio”, diz. A transformação do antigo prédio das Docas em um centro de referência é uma forma de acolher os visitantes, que terão ali acesso ao acervo de cerca de um milhão de itens encontrados no Valongo e áreas vizinhas da zona portuária, uma região que, justamente, por lembrar a chegada de africanos ao Brasil, recebe o nome de Pequena África. O Cais do Valongo é patrimônio cultural da Humanidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Uma Lei Federal reconhece o sítio arqueológico como patrimônio histórico e cultural afro-brasileiro. A obra para transformar a construção imperial em Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo está orçada em R$ 77 milhões e será executada com recursos do orçamento da União. A previsão é as obras de adaptação durarem três anos. Engenheiro negro e abolicionista Também funcionarão no endereço histórico o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana e o Memorial André Rebouças, engenheiro que dá nome ao prédio. O então Armazém Dom Pedro II só ganhou o nome de Rebouças, responsável pelo projeto de construção, em 2025. O baiano foi o primeiro engenheiro negro do país e um dos grandes nomes do movimento abolicionista. O prédio da época do Império foi construído em 1871 e não contou com mão de obra escravizada. Acervo e reparação De acordo com o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, o acervo que será abrigado pelo novo centro deve ter mais de 1 milhão de peças. "Vai ser ao longo de 20 anos, 30 anos, que vai se dizer o que tem. Vamos precisar de equipe de todo o mundo pesquisando, identificando, trazendo à tona", disse o representante do órgão ligado ao Ministério da Cultura. Alguns itens já foram identificados, como anéis, cachimbos, peças de vestuário e iscas de pesca, e estavam expostas em outros museus. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, considera que o novo centro é uma reparação após séculos e escravidão. “Todo mundo, pretos, brancos e indígenas, precisa estar unido nesse processo, porque o Brasil só será um país com democracia cidadã quando essa justiça for feita. Essa justiça faz parte de uma série de ações: justiça social, acesso à saúde, à educação, à cultura”, declarou. Representantes da sociedade O Cais do Valongo conta com um comitê gestor que reúne integrantes das três esferas de governo e representantes da sociedade civil. Um dos integrantes é Nilson Moreira, que representa a Casa da Tia Ciata, uma organização não governamental que fica na Pequena África. Para ele, o espaço repaginado será um marco da região. “É muito importante para que a pessoa que ainda não conhece a história do Cais do Valongo tenha um resumo já na frente da escavação” defende. “Ela vai observar e ter muito mais conteúdo para que possa formar sua ideia. A gente está desenterrando histórias escondidas para que as pessoas conheçam a cultura negra como um todo”, descreveu o trineto de Tia Ciata (1854-1924), baiana que se tornou matriarca do samba carioca. Na visão dele, comitê gestor contribui para que imóveis da região não percam a própria essência. “No momento em que perde a essência, a região perde o significado. A luta do comitê gestor é para manter isso”, pontua. Pequena África A Pequena África já é considerada uma das regiões mais visitadas por turistas no Rio de Janeiro e concentra dezenas de quadras na região portuária, sendo um registro geográfico da chegada ao Brasil de africanos escravizados. Um passeio pelas ruas da Pequena África se transforma em uma aula sobre a influência negra na construção das identidades carioca e brasileira. Na região, além do Valongo, ficam pontos marcantes do legado africano na cidade e no país, como o Quilombo da Pedra do Sal, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) e o Cemitério dos Pretos Novos, onde eram enterrados escravizados que morriam após a entrada dos navios negreiros na Baía de Guanabara ou imediatamente depois do desembarque, antes mesmo de serem vendidos. Ao lado do futuro Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo, a prefeitura do Rio de Janeiro está construindo o Centro Cultural Rio-Áfricas, voltado à valorização da ancestralidade afro-diaspórica por meio de exposições, mostras, formação artística e atividades educativas.

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