Crimes da ditadura paraguaia seguem sem respostas, diz ator no CineSur
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Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/crimes-da-ditadura-paraguaia-seguem-sem-respostas-diz-ator-no-cinesur"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p><strong>Entre as ditaduras militares que se instalaram pelos países da América do Sul, nenhuma durou tanto quanto a do Paraguai, comandada pelo general Alfredo Stroessner entre os anos de 1954 e 1989.</strong><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1698194&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1698194&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>Durante esses 35 anos de governo, o regime de Stroessner prendeu arbitrariamente ou de forma ilegal quase 20 mil pessoas, torturou 19 mil e matou 60. Além disso, aproximadamente 3,5 mil precisaram ser exiladas, segundo dados divulgados em 2003 pela <a href="https://www.codehupy.org.py/verdadyjusticia/" target="_blank">Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai</a>. Entre os grupos que mais sofreram violações nesse período estavam os formados por pessoas LGBTQI+.</p> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/em-novo-documentario-bodansky-revisita-carreira-e-destaca-mudancas">Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/festival-bonito-cinesur-promove-integracao-audiovisual-sul-americana">Festival Bonito CineSur promove integração audiovisual sul-americana.</a></li></ul><strong>Um dos casos mais emblemáticos dessa violência foi o assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959, um locutor de rádio homossexual que amava o<em> rock and roll</em> e que foi queimado enquanto dormia. </strong></p> <p>O crime jamais foi solucionado, mas, para a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia, o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar.</p> <p><strong>A história de Aranda acabou inspirando o livro <em>Narciso</em>, escrito pelo escritor e jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá e que agora foi adaptado ao cinema pelo diretor Marcelo Martinessi.</strong></p> <p>Chamado <em>Quién Mato a Narciso?</em>, o filme conquistou recentemente o Prêmio de Melhor Filme da Mostra Panorama do Festival de Berlim e foi exibido esta semana dentro da competição de filmes sul-americanos do Bonito CineSur, festival de cinema que ocorre em Bonito (MS) até este sábado (1°/8).</p> <p>“Esse crime nunca foi esclarecido até hoje. Por isso, durante a apresentação [do filme no Bonito CineSur], eu falei: ‘Tanto no cinema quanto na vida, muitas vezes não temos respostas’. Então, no cinema também não há um desfecho, porque nós mesmos, no Paraguai, não sabemos a resposta. E este é apenas um dos muitos casos que ocorreram”, disse o ator Diro Romero, que interpreta Narciso no cinema.</p> <p>Para Romero, a história da ditadura no Paraguai é muito semelhante às vividas pelos demais países da América do Sul, com “desaparecidos, torturas e mortes que, até hoje, permanecem sem esclarecimento”.</p> <p>Segundo ele, apresentar essa história por meio do cinema procura transmitir a ideia de que é preciso garantir que essa violência jamais volte a ocorrer entre países sul-americanos.</p> <p>“Viemos do mesmo lugar. A ideia é que sejamos mais unidos. Acho que é isso que as pessoas querem, mas nossos líderes estão seguindo uma direção diferente. Estamos nos dividindo em um momento em que precisamos estar mais unidos do que nunca.” </p> <h2>O cinema no Paraguai</h2> <p><em>Quién Mato a Narciso? </em>marca um novo momento do cinema paraguaio. Nos últimos anos, o país instituiu novas políticas para incentivar sua produção cinematográfica, tais como a Lei do Cinema (2018), a criação do Instituto Nacional do Audiovisual do Paraguai e o recente acordo de coprodução cinematográfica e audiovisual do Mercosul. </p> <p>O documento assinado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, moderniza regras para o setor audiovisual dos países do bloco e permite que coproduções recorram a fundos públicos de fomento dos países que compõem o Mercossul.</p> <p>Para o ator, músico, produtor e membro da Academia de Cinema e da União de Atores do Paraguai, Celso Franco, o cinema de seu país só começou, de fato, a ganhar impulso após o grande sucesso de 7 Caixas (2012), filme que ele protagonizou e que chegou a atrair 300 mil pessoas aos cinemas paraguaios.</p> <p>“Foi um filme que teve um impacto enorme no cinema. Foi um fenômeno — e um fenômeno decorrente de uma questão que venho analisando há muito tempo: a falta de visão do Paraguai sobre si mesmo.”</p> <p><strong>Segundo Franco, a produção cinematográfica no Paraguai, até então, era muito pequena e praticamente inexistente, com a exibição sendo dominada por filmes estrangeiros.</strong></p> <blockquote> <p>“Passamos o tempo assistindo a conteúdo internacional. Tudo se resume à falta de produção local de conteúdo audiovisual. O apoio ao cinema era praticamente inexistente. Não havia regulamentações, nem institutos ou instituições — praticamente nada.”</p> </blockquote> <p>Há cerca de cinco anos, o setor de investimento ganhou impulso. “Agora temos o INAP, o Instituto Nacional do Audiovisual, que conta com fundos específicos para o cinema e vem impulsionando fortemente a produção audiovisual.”</p> <p>Para ele, com essas novas políticas para o audiovisual, o cinema paraguaio poderá, finalmente, contar suas histórias. “Há muitas histórias para serem contadas.”</p> <p><em>* A repórter viajou a convite do Bonito CineSur</em></p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.
Entre as ditaduras militares que se instalaram pelos países da América do Sul, nenhuma durou tanto quanto a do Paraguai, comandada pelo general Alfredo Stroessner entre os anos de 1954 e 1989. Durante esses 35 anos de governo, o regime de Stroessner prendeu arbitrariamente ou de forma ilegal quase 20 mil pessoas, torturou 19 mil e matou 60. Além disso, aproximadamente 3,5 mil precisaram ser exiladas, segundo dados divulgados em 2003 pela Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai. Entre os grupos que mais sofreram violações nesse período estavam os formados por pessoas LGBTQI+. Notícias relacionadas:Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças.Festival Bonito CineSur promove integração audiovisual sul-americana.Um dos casos mais emblemáticos dessa violência foi o assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959, um locutor de rádio homossexual que amava o rock and roll e que foi queimado enquanto dormia. O crime jamais foi solucionado, mas, para a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia, o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar. A história de Aranda acabou inspirando o livro Narciso, escrito pelo escritor e jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá e que agora foi adaptado ao cinema pelo diretor Marcelo Martinessi. Chamado Quién Mato a Narciso?, o filme conquistou recentemente o Prêmio de Melhor Filme da Mostra Panorama do Festival de Berlim e foi exibido esta semana dentro da competição de filmes sul-americanos do Bonito CineSur, festival de cinema que ocorre em Bonito (MS) até este sábado (1°/8). “Esse crime nunca foi esclarecido até hoje. Por isso, durante a apresentação [do filme no Bonito CineSur], eu falei: ‘Tanto no cinema quanto na vida, muitas vezes não temos respostas’. Então, no cinema também não há um desfecho, porque nós mesmos, no Paraguai, não sabemos a resposta. E este é apenas um dos muitos casos que ocorreram”, disse o ator Diro Romero, que interpreta Narciso no cinema. Para Romero, a história da ditadura no Paraguai é muito semelhante às vividas pelos demais países da América do Sul, com “desaparecidos, torturas e mortes que, até hoje, permanecem sem esclarecimento”. Segundo ele, apresentar essa história por meio do cinema procura transmitir a ideia de que é preciso garantir que essa violência jamais volte a ocorrer entre países sul-americanos. “Viemos do mesmo lugar. A ideia é que sejamos mais unidos. Acho que é isso que as pessoas querem, mas nossos líderes estão seguindo uma direção diferente. Estamos nos dividindo em um momento em que precisamos estar mais unidos do que nunca.” O cinema no Paraguai Quién Mato a Narciso? marca um novo momento do cinema paraguaio. Nos últimos anos, o país instituiu novas políticas para incentivar sua produção cinematográfica, tais como a Lei do Cinema (2018), a criação do Instituto Nacional do Audiovisual do Paraguai e o recente acordo de coprodução cinematográfica e audiovisual do Mercosul. O documento assinado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, moderniza regras para o setor audiovisual dos países do bloco e permite que coproduções recorram a fundos públicos de fomento dos países que compõem o Mercossul. Para o ator, músico, produtor e membro da Academia de Cinema e da União de Atores do Paraguai, Celso Franco, o cinema de seu país só começou, de fato, a ganhar impulso após o grande sucesso de 7 Caixas (2012), filme que ele protagonizou e que chegou a atrair 300 mil pessoas aos cinemas paraguaios. “Foi um filme que teve um impacto enorme no cinema. Foi um fenômeno — e um fenômeno decorrente de uma questão que venho analisando há muito tempo: a falta de visão do Paraguai sobre si mesmo.” Segundo Franco, a produção cinematográfica no Paraguai, até então, era muito pequena e praticamente inexistente, com a exibição sendo dominada por filmes estrangeiros. “Passamos o tempo assistindo a conteúdo internacional. Tudo se resume à falta de produção local de conteúdo audiovisual. O apoio ao cinema era praticamente inexistente. Não havia regulamentações, nem institutos ou instituições — praticamente nada.” Há cerca de cinco anos, o setor de investimento ganhou impulso. “Agora temos o INAP, o Instituto Nacional do Audiovisual, que conta com fundos específicos para o cinema e vem impulsionando fortemente a produção audiovisual.” Para ele, com essas novas políticas para o audiovisual, o cinema paraguaio poderá, finalmente, contar suas histórias. “Há muitas histórias para serem contadas.” * A repórter viajou a convite do Bonito CineSur
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