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Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças

Source: agenciabrasil.ebc.com.br Published Fri, 31 Jul 2026 07:51:00 -0300
Em novo documentário, Bodansky revisita carreira e destaca mudanças

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Key context: <p><p style="text-align:center;"><a class="" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/em-novo-documentario-bodansky-revisita-carreira-e-destaca-mudancas"> <img src="https://cdn.jsdelivr.net/gh/sergiosdlima/assets-ebc@1.0.0/abr/assets/images/logo-agenciabrasil.svg" alt="Logo Agência Brasil" style="height: 54px;"> </a></p><strong>Em 1973, quando trabalhava como cinegrafista para uma TV alemã, Jorge Bodansky sobrevoou os arredores da cidade de Aripuanã (MT) para registrar a criação da Cidade Laboratório de Humboldt – projeto científico e tecnológico idealizado pela ditadura militar brasileira para ocupar a Amazônia e que foi desativado poucos anos depois, em 1978.</strong><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1698189&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1698189&o=rss" style="width:1px; height:1px; display:inline;" /></p> <p>Durante este voo e com uma câmera Super-8 em mãos, o cineasta filmou, por acaso, um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados, que nunca havia sido contatado, tentando flechar o avião. Essas imagens acabaram não sendo enviadas para a TV alemã e ficaram esquecidas em seu arquivo até que esse material acabou sendo digitalizado recentemente e revisto pelo cineasta.</p> <blockquote> <p><h3>Notícias relacionadas:</h3><ul><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/festival-bonito-cinesur-promove-integracao-audiovisual-sul-americana">Festival Bonito CineSur promove integração audiovisual sul-americana.</a></li><li><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/atriz-chilena-paulina-garcia-sera-homenageada-no-bonito-cinesur">Atriz chilena Paulina Garcia será a homenageada no Bonito Cinesur.</a></li></ul>“O objetivo desse sobrevoo não eram os indígenas, por acaso eles apareceram e subiram no telhado e tentaram flechar o avião. Essa imagem ficou esquecida e agora ela apareceu e eu pensei: ‘Puxa vida, isso me intrigou muito. Quem são esses indígenas?’.”</p> </blockquote> <p>E foi com esse questionamento que ele começou a revisitar toda a sua carreira para produzir o seu mais novo documentário <em>Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky</em>. </p> <p><strong>O filme foi exibido na<a href="https://bonitocinesur.com.br/2026/" target="_blank"> mostra competitiva</a> ambiental do <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/tags/bonito-cinesur" target="_blank">Bonito Cinesur</a>, festival de cinema que ocorre até o próximo sábado (1°/8) na cidade de Bonito (MT).</strong></p> <p>O cineasta decidiu revisitar o local das filmagens para tentar descobrir quem eram aqueles indígenas retratados casualmente e também documentar como estava aquela região depois de tanto tempo. </p> <p>“No decorrer desse processo de pesquisar imagens eu acabei contando a minha história também. Então esse é um filme autobiográfico e que conta uma história que eu vivi”, disse o cineasta.</p> <h2>Mudanças</h2> <p><strong>Passados 50 anos daquele sobrevoo, Bodansky diz que sua forma de fazer cinema pouco mudou. </strong>“O título do filme é Um Olhar Inquieto porque acho que meu olhar continua inquieto.<strong> </strong>Eu sempre olho e procuro as coisas. Minha forma de me posicionar diante da imagem do cinema continua a mesma. Eu continuo fazendo esse tipo de cinema de aventura, de observação e preocupado com a questão social.”</p> <p>Embora sua forma de fazer cinema tenha permanecido praticamente a mesma, o mesmo não aconteceu com os Pater Surui ou com aquela localidade. Muitos daqueles indígenas morreram por doenças ou violências quando começaram a ser contatados. O projeto Humboldt, por sua vez, estava em ruínas. E aquela paisagem que aparece nas imagens do sobrevoo jamais foi a mesma. </p> <blockquote> <p>“A questão que aconteceu com esses indígenas, não quero dar o spoiler, mas é a história que todo mundo sabe. E a outra é que quando eu estive lá, era floresta até o horizonte. Hoje é soja até o horizonte.”</p> </blockquote> <p>Ao voltar a filmar aquela região, a câmera de Bodansky mostra que a exploração da Amazônia encampada pela ditadura militar ainda continua um problema muito atual. “Essa é uma forma de ocupação que começou na ditadura militar e que não mudou até agora”, ressaltou o cineasta. </p> <p>“Independentemente do governo que está de plantão, a forma de ocupar a Amazônia e de ver a Amazônia é a mesma. Você parte do princípio de que não existe nada lá e temos que ocupá-la e fazê-la produzir. Isso não leva em consideração que lá tem gente e que sabe o que quer - e que luta por isso.”</p> <p>Para ele, esse problema só será resolvido por meio da organização e mobilização da sociedade civil. “Hoje você vai a qualquer comunidade quilombola, ribeirinha ou indígena e eles estão organizados, têm representatividade, sabem o que querem.”</p> <p><em>*A repórter viajou a convite do Bonito CineSur</em></p> This development from agenciabrasil.ebc.com.br highlights ongoing changes in the sector.

Em 1973, quando trabalhava como cinegrafista para uma TV alemã, Jorge Bodansky sobrevoou os arredores da cidade de Aripuanã (MT) para registrar a criação da Cidade Laboratório de Humboldt – projeto científico e tecnológico idealizado pela ditadura militar brasileira para ocupar a Amazônia e que foi desativado poucos anos depois, em 1978. Durante este voo e com uma câmera Super-8 em mãos, o cineasta filmou, por acaso, um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados, que nunca havia sido contatado, tentando flechar o avião. Essas imagens acabaram não sendo enviadas para a TV alemã e ficaram esquecidas em seu arquivo até que esse material acabou sendo digitalizado recentemente e revisto pelo cineasta. Notícias relacionadas:Festival Bonito CineSur promove integração audiovisual sul-americana.Atriz chilena Paulina Garcia será a homenageada no Bonito Cinesur.“O objetivo desse sobrevoo não eram os indígenas, por acaso eles apareceram e subiram no telhado e tentaram flechar o avião. Essa imagem ficou esquecida e agora ela apareceu e eu pensei: ‘Puxa vida, isso me intrigou muito. Quem são esses indígenas?’.” E foi com esse questionamento que ele começou a revisitar toda a sua carreira para produzir o seu mais novo documentário Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky. O filme foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival de cinema que ocorre até o próximo sábado (1°/8) na cidade de Bonito (MT). O cineasta decidiu revisitar o local das filmagens para tentar descobrir quem eram aqueles indígenas retratados casualmente e também documentar como estava aquela região depois de tanto tempo. “No decorrer desse processo de pesquisar imagens eu acabei contando a minha história também. Então esse é um filme autobiográfico e que conta uma história que eu vivi”, disse o cineasta. Mudanças Passados 50 anos daquele sobrevoo, Bodansky diz que sua forma de fazer cinema pouco mudou. “O título do filme é Um Olhar Inquieto porque acho que meu olhar continua inquieto. Eu sempre olho e procuro as coisas. Minha forma de me posicionar diante da imagem do cinema continua a mesma. Eu continuo fazendo esse tipo de cinema de aventura, de observação e preocupado com a questão social.” Embora sua forma de fazer cinema tenha permanecido praticamente a mesma, o mesmo não aconteceu com os Pater Surui ou com aquela localidade. Muitos daqueles indígenas morreram por doenças ou violências quando começaram a ser contatados. O projeto Humboldt, por sua vez, estava em ruínas. E aquela paisagem que aparece nas imagens do sobrevoo jamais foi a mesma. “A questão que aconteceu com esses indígenas, não quero dar o spoiler, mas é a história que todo mundo sabe. E a outra é que quando eu estive lá, era floresta até o horizonte. Hoje é soja até o horizonte.” Ao voltar a filmar aquela região, a câmera de Bodansky mostra que a exploração da Amazônia encampada pela ditadura militar ainda continua um problema muito atual. “Essa é uma forma de ocupação que começou na ditadura militar e que não mudou até agora”, ressaltou o cineasta. “Independentemente do governo que está de plantão, a forma de ocupar a Amazônia e de ver a Amazônia é a mesma. Você parte do princípio de que não existe nada lá e temos que ocupá-la e fazê-la produzir. Isso não leva em consideração que lá tem gente e que sabe o que quer - e que luta por isso.” Para ele, esse problema só será resolvido por meio da organização e mobilização da sociedade civil. “Hoje você vai a qualquer comunidade quilombola, ribeirinha ou indígena e eles estão organizados, têm representatividade, sabem o que querem.” *A repórter viajou a convite do Bonito CineSur

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